Sala Crítica
Críticas Destaque Filmes TV e streaming

A Barraca do Beijo 2 | Crítica

A Barraca do Beijo 2 | Crítica

Crítica de A Barraca do Beijo 2, da NetflixA Barraca do Beijo 2 (The Kissing Booth 2)

Ano: 2020

Direção: Vince Marcello

Roteiro: Vince Marcello, Jay Arnold

Elenco: Joey King, Joel Courtney, Jacob Elordi, Maisie Richardson-Sellers, Taylor Perez, Molly Ringwald

A Barraca do Beijo 2 fez sua estreia ontem na Netflix e já adquiriu o posto de primeiro lugar das atrações mais assistidas pela plataforma no Brasil, tamanho foi o buzz que o longa anterior causou entre os jovens do país. Assim como o primeiro filme acompanha a história do livro homônimo, sua sequência faz jus ao enredo literário de A Barraca do Beijo 2: Amor à Distância, da autora Beth Reekles, com poucas modificações quanto à sua trama e personagens. 

A nova obra segue contando a trajetória da protagonista Elle Evans, interpretada por Joey King, exatamente do ponto em que ela se encontrava no final do filme de 2018, quando havia se despedido do namorado Noah Flynn (Jacob Elordi), que se mudava para cursar a faculdade de Harvard. Os acontecimentos que vêm a seguir acabam nos levando a sentir como se estivéssemos vivenciando o cotidiano e rotina da personagem, afinal, a duração do longa é de mais de duas horas, que poderiam ser bem interessantes se a Netflix (ou até mesmo a escritora do livro) não tivesse apostado na clássica receitinha de bolo para adolescentes.

Se torna quase impossível não lembrar de outra produção que ganhou as telas neste mesmo ano pelo serviço de streaming e voltada para um público equivalente, pois A Barraca do Beijo 2 acaba tendo um enredo que remete muito ao filme Para Todos os Garotos: PS. Ainda Amo Você, inclusive em se tratando das reviravoltas na vida de Elle e das adições de personagens inéditos no roteiro. O novato Taylor Zakhar Perez, intérprete de Marco, está servindo de possível novo interesse amoroso para a heroína, chegando para bagunçar seus sentimentos quanto ao namorado, exatamente da mesma forma como o personagem John Ambrose surgia em Para Todos os Garotos, e ambos só servem como uma pedra no caminho das protagonistas rumo à reafirmação de seus verdadeiros amores.

Essa fórmula não apenas soa repetida, como também faz com que relacionamentos juvenis sejam retratados de forma bastante idealizada. Ambas as personagens tiveram seus primeiros namorados e um pequeno crush no decorrer do tempo, mas restabelecem suas decisões românticas iniciais para provar que nada abala o primeiro amor. E, na maioria dos casos, não costuma ser bem assim, ainda mais quando os relacionamentos se tornam à distância, fazendo com que diminua gradativamente o contato entre os seus membros. O contrário é possível? Claro que sim, há pessoas que até hoje estão com seu primeiro parceiro e a relação continua dando certo, mas se isso fosse tão recorrente desde a adolescência, e mesmo quando longe um do outro, não teríamos um índice tão grande de términos ocorrendo durante o período de quarentena.

Talvez o intuito de A Barraca do Beijo 2 seja mesmo romantizar, agora que não estamos podendo viver determinadas situações e só podemos ver elas através do entretenimento, suprindo a falta de esperança desse momento difícil de pandemia. Se levarmos esse tópico como uma observação à parte  e analisarmos o filme por suas questões mais técnicas, temos boas atuações e um desenvolvimento maior de histórias secundárias de personagens coadjuvantes que aumentam o valor da trama. O envolvimento do elenco é bastante crível, o que torna um pouco mais verossímil o enredo.

Entretanto, o roteiro é apenas mais do mesmo e encerra com um final duvidoso quanto ao desenvolvimento de mais uma continuação, podendo acabar por ali ou não. A verdade é que ninguém precisava desse segundo filme, se era apenas para contar mais uma história comum e com muitos clichês do gênero.

Nota:


Quer ficar por dentro de todas as novidades sobre filmes e séries? Siga a gente no Instagram!

The following two tabs change content below.
Designer de moda e redatora gaúcha, vivendo em São Paulo. Interessada por arte e cultura pop em suas mais diversas áreas. Por ser uma romancista entusiasta, curte assistir adaptações literárias para o cinema, e pela ligação acadêmica com figurino, longas de época ocupam o topo da sua lista de filmes favoritos. Além disso, possui o super poder de guardar com facilidade nomes de artistas e apontar suas participações em produções.

Latest posts by Luna Rocha (see all)

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Close