Sala Crítica
Críticas Destaque Filmes TV e streaming

É o Bicho! | Crítica

É o Bicho! | Crítica

É o Bicho! (Animal Crackers)

Ano: 2020

Direção: Tony Bancroft, Scott Christian Sava

Roteiro: Scott Christian Sava, Dean Lorey

Elenco: John Krasinski, Emily Blunt, Ian McKellen, Danny DeVito, Sylvester Stallone, Raven-Symoné, Raven-Symoné, Patrick Warburton, Tara Strong, Wallace Shawn,

É o Bicho! é uma animação que parecia amaldiçoada. Produzida em 2017 e prevista para estrear nos cinemas no ano seguinte, a produção passou por três estúdios diferentes (e duas falências no meio do processo) antes da pandemia do novo coronavírus chegar e sepultar de vez as chances de chegar às telonas. Felizmente, a Netflix apareceu na jogada e trouxe o filme para o grande público, após três longos anos na gaveta. Com uma história fofíssima e uma premissa divertida, É o Bicho! encontra um lugar privilegiado no catálogo infantil da gigante do streaming.

Na trama, conhecemos o casal Owen (Krasinki) e Zoe (Blunt) que, mesmo sendo apaixonados pelo circo de propriedade do tio de Owen, Bob, se obrigam a trabalhar na empresa de biscoitos caninos de Woodley, pai de Zoe, para sustentar sua filha Mackenzie. Quando Bob e sua esposa Talia falecem em um incêndio, o casal resolve tomar frente do circo, especialmente por conta da descoberta de uma caixa de biscoitos mágica que faz as pessoas se transformarem em qualquer tipo de animal. Porém, o malvado irmão de Bob, Horatio (McKellen), tem muito interesse na caixa de biscoitos mágica, não necessariamente para ser um dono de circo bem sucedido…

É o Bicho! se sustenta na figura de seu casal protagonista para atravessar sua 1h45 de duração, o que se mostra uma boa decisão, já que os personagens possuem reconhecível carisma. Dublados por um dos casais mais queridinhos do show business de hoje, Owen e Zoe garantem nossa atenção desde o começo, o que fica ainda melhor com a menininha Mackenzie (Taylor), que traz ainda mais leveza ao âmbito familiar. Mas, como o próprio Owen fala durante o filme, sua família completa compreende seus parceiros de circo, e o elenco de atrações circenses é também muito carismático, especialmente na figura do palhaço Chesterfield (DeVito) e do Homem Bala (Stallone). Já o vilão Horatio se apoia muito no vozeirão de Ian McKellen para trazer medo, o que funciona com menos eficiência — apesar de McKellen fazer o que pode.

A história é bem simples, como uma animação deve ser, e entretém muito bem, especialmente depois de superado o descompassado primeiro ato. A partir do momento em que o elemento mágico da caixinha de biscoitos entra em cena, o filme anda maravilhosamente bem, já que os diretores Scott Christian Sava e Dean Lorey se aproveitam bem da nova “ferramenta” narrativa para criar situações divertidas (ver Mackenzie abraçando o “papai urso” é tão engraçado quanto fofo). Apesar da qualidade da animação oscilar — devido ao baixo orçamento, penso eu —, a dupla encontra boas soluções para seguir a história e criar gags visuais muito eficientes: destaco a piada do capanga de Horatio levando o circo em uma mini bicicleta, e o pomposo e arrogante Brock (Shawn) se tornando em um babuíno assustado.

Com um ritmo que faz o filme oscilar no primeiro, mas encontrar sua voz no segundo e especialmente no terceiro ato (quando a premissa dos biscoitos mágicos é expandida a favor da trama), É o Bicho! é uma animação divertida e que garantirá bom entretenimento para crianças e também adultos. Apesar de não ter chegado aos  cinemas, como seus realizadores queriam, a Netflix parece ter se mostrado o melhor lar para a produção, que poderá chegar em muitos lares espalhados pelo mundo todo, especialmente em um período tão complicado quanto o que vivemos – onde a arte se motra tão necessária.

Nota: 


Quer ficar por dentro de todas as novidades sobre filmes e séries? Siga a gente no Instagram!

The following two tabs change content below.
Jornalista em formação, ex-membro do finado e saudoso Terra Zero e leitor de histórias em quadrinhos. Fã de ficção científica e terror, divide seu tempo livre entre o cuidado com suas dezenas de gatos e a paixão pela cultura pop. Sonha com o dia em que perceberão que arte é sim, uma forma de discutir política.

Latest posts by Pedro Kobielski (see all)

Comments

  1. Legal o desenho

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Close