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Oferenda à Tempestade | Crítica

Oferenda à Tempestade | Crítica

Crítica de Oferenda à Tempestade, da NetflixOferenda à Tempestade (Ofrenda a la Tormenta)

Ano: 2020

Direção: Fernando González Molina

Roteiro: Dolores Redondo, Luiso Berdejo

Elenco: Marta Etura, Leonardo Sbaraglia, Juan Carlos Nene Gallego, Benn Northover, Imanol Arias, Francesc Orella, Álvaro Cervantes, Itziar Aizpuru, Marta Larralde, Alícia Sanchez, Patricia López Arnaiz, Eduardo Rosa, Paco Tous, Elvira Mínguez, Iñigo de la Iglesia

Oferenda à Tempestade é o último capítulo da trilogia Baztán, que conta a história da detetive Amaia (Marta Etura) durante a investigação de uma série de crimes no Vale. E a exemplo de seu antecessor, Legado nos Ossos, é um filme que até funciona sozinho, mas precisa do conjunto para atingir seu máximo potencial.

Se você ainda não assistiu aos dois primeiros filmes, já aviso: esse texto contém spoilers.

Um mês após os acontecimentos do filme anterior, Amaia continua na busca pelo corpo de sua irmã gêmea que morreu após o nascimento, desenterrando uma conspiração muito antiga no povoado a cada passo que dá. Auxiliada por Jonan (Juan Carlos Nene Gallego) e Fermín (Francesc Orella), a investigadora está disposta a arriscar tudo na busca pela verdade.

A trama é coesa, e se mantém fiel aos princípios já trabalhados. Dessa vez, mais do que nunca, mergulha fundo no aspecto sobrenatural, levando o espectador a se questionar se os crimes são, de fato, cometidos por humanos ou há uma força maior e mais profunda envolvida. Essa dúvida é reforçada pela morte de dois personagens muito relevantes no filme anterior, mas que acabam tendo sua participação reduzida no intuito de servirem à narrativa da terceira parte.

A obra tem um ritmo lento, pertinente ao gênero do suspense psicológico, marcado por momentos de tensão e, por vezes, alguma ação. Para aqueles que esperam um resultado mais dinâmico, estejam avisados: Oferenda à Tempestade segue a fórmula dos outros dois filmes, e se mantém fiel à proposta inicial.

Embora a fotografia do longa seja pragmática e não traga inovações, as cores foram utilizadas de forma mais pujante que nas produções anteriores. Os momentos ficam muito bem demarcados, de modo que a ideia de perigo e tensão seja bem reforçada.

Se por um lado a obra repete seus acertos, o mesmo acontece com os erros. A trilha sonora praticamente onipresente é incômoda, e desvia o foco dos acontecimentos em tela. A música soa como uma muleta que vai empurrando o espectador na direção desejada, quase como se não houvesse confiança nos demais elementos do filme.

Mais uma vez, James (Benn Northover) fica muito abaixo da obra. O marido de Amaia é inconsistente, mudando de opinião a cada cinco minutos e não se decidindo se está em bons termos com a esposa, ressentido por ser deixado de lado ou abatido pela condição de saúde de seu pai. Novamente, Northover faz um trabalho pífio, e não consegue trazer profundidade a seu personagem. Fica a dúvida se o resultado é ruim por causa do texto, por causa do ator ou por culpa de ambos.

Como em seus predecessores, Oferenda à Tempestade traz cliffhangers e questionamentos durante toda sua duração, e não apenas ao final. Alguns acontecimentos ficam sem resposta, como é o caso de Aloisius Dupree (Colin McFarlane), que foi praticamente relegado ao esquecimento nessa última parte, ficando com seu final em aberto. É possível que esses pontos não finalizados sejam base para outras produções cinematográficas que vão além do universo dos livros.

A família Salazar, fundamental nos dois primeiros filmes, também tem sua participação reduzida, mas de forma justificada. Quanto mais investiga o presente, mais Amaia descobre segredos do passado, e os problemas de sua família diminuem frente à grandiosidade da situação.

Oferenda à Tempestade sofre, principalmente por ser uma adaptação literária, e nem todos os elementos das páginas se traduzem bem na tela. Contudo, os erros são pequenos se comparados ao todo. Aliás, eis um conceito que define bem a trilogia Baztán: ‘o todo’. Uma rede de crimes encoberta por mentiras e segredos, que está interligada de uma forma surpreendente, maior do que podemos imaginar. A história se encerra (será que se encerra?) de forma digna, trazendo respostas a perguntas que estavam na nossa frente o tempo todo, mas estávamos muito próximos — emocionalmente falando — para perceber.

Nota:


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Ator, escritor, diretor e roteirista, Gabryel é ruim em todas essas coisas. Crítico por natureza, adora reclamar de tudo, e é fã de filmes que ninguém tem paciência pra assistir. Carrega a convicção de que Click é um clássico cult e quem discorda é clubista.

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