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Unbreakable Kimmy Schmidt: Kimmy x Reverendo | Crítica

Unbreakable Kimmy Schmidt: Kimmy x Reverendo | Crítica

Crítica de Unbreakable Kimmy Schmidt: Kimmy x Reverendo, da NetflixUnbreakable Kimmy Schmidt: Kimmy x Reverendo (Unbreakable Kimmy Schmidt: Kimmy vs. the Reverend)

Ano: 2020

Direção: Claire Scanlon
 
Roteiro: Robert Carlock, Tina Fey, Sam Means, Meredith Scardino
 
Elenco: Ellie Kemper, Tituss Burgess, Jane Krakowski, Carol Kane, Daniel Radcliffe, Jon Hamm, Sara Chase, Dylan Gelula

A Netflix resolveu inovar mais uma vez e lançar o final da série de humor Unbreakable Kimmy Schmidt em formato de filme interativo, em que o espectador pode decidir os passos da protagonista no decorrer dos acontecimentos do longa. Vale dizer que essa atração é mais focada para o público que acompanhou o seriado, porque é uma continuação direta e não reintroduz fatos. Para quem não está por dentro do enredo, Unbreakable Kimmy Schmidt conta a história de uma moça que recomeça sua vida após ser resgatada de um culto apocalíptico em um bunker subterrâneo, no qual viveu cativa por 15 anos, tendo sido sequestrada por um homem que se intitulava como Reverendo.

Essa não é a primeira vez que o streaming investe nesse modelo que funciona quase como se fosse um game, o pioneiro na plataforma foi o filme Bandersnatch, lançado em 2018, que foi sucesso absoluto entre os fãs da série Black Mirror, à qual a atração pertencia. Porém, não espere que o filme Unbreakable Kimmy Schmidt: Kimmy x Reverendo seja tão bem planejado quanto seu antecessor no gênero de interatividade. Diferentemente de Bandersnatch, o longa da Kimmy (Ellie Kemper) possui decisões corretas a serem tomadas, cujas escolhas erradas encerram o filme e o rebobinam para a cena anterior, selecionando a opção que você não havia clicado antes. Ou seja, em alguns momentos do roteiro, você possui uma falsa sensação de livre arbítrio, porque mesmo fazendo escolhas por conta própria, a atração retrocede para te fazer optar pela direção que ela mesma intenciona seguir.

Com isso, o que aconteceu com a minha experiência nos primeiros 30 minutos de filme? Sim, senhoras e senhores, eu consegui matar a Kimmy, casar a Kimmy sem cerimônia, escolher um bom conselho que levaria a Kimmy a não viver o filme e matar o reverendo, impossibilitando a protagonista de resolver o mistério. Todas essas cenas vieram seguidas de uma tela preta que quebra com a quarta parede do universo cinematográfico e na qual algum personagem avisa que a minha decisão precisava ser retomada. Admito que não gostei desse recurso, porque esperava que quaisquer que fossem as minhas escolhas, elas me levassem a um final específico, e não que pudessem ser um erro de roteiro e eu precisasse andar de acordo com o que já era pré-determinado para ocorrer.

Por curiosidade, resolvi assistir o filme duas vezes, para descobrir se algumas das opções que deixei para trás mudariam o enredo de alguma forma, e a verdade é que, mesmo quando você toma um caminho diferente, o longa acaba indo exatamente para o mesmo lado, e vai culminar em dois finais que são praticamente iguais, só mudando algumas falas e recursos estéticos. Em contrapartida, tem duas coisas que me agradaram bastante com relação ao problema das escolhas premeditadas, porque teve um momento que eu cheguei quase até o fim do filme, mas não havia optado por uma decisão que era crucial para o andamento da trama e, com isso, o longa não me fez ter de voltar ao início para apertar no botão correto, ele incluiu a alternativa posteriormente em outra cena, e isso nos poupa bastante tempo, afinal, imagina reassistir quase uma hora de filme novamente por ter faltado uma informação! A segunda ideia legal que me surpreendeu é que eu selecionei a mesma opção duas vezes em uma cena, mesmo sabendo que ela não era a que daria continuidade ao enredo e, ao invés de repetir a consequência que eu já tinha conhecimento, o filme me deu uma passagem inteiramente nova, que era hilária! Então, fica a dica: quando o personagem Titus (Tituss Burgess) estiver pedindo um Uber na estrada, clique em esperar o carro por duas vezes seguidas, a segunda cut scene é maravilhosa!

Fora essas questões relacionadas ao quesito interativo, há algumas piadas polêmicas, principalmente no que diz respeito à zoeiras com a Coreia do Norte, e também existem algumas opções pesadas de ações da Kimmy, que contém violência explícita e não remetem nem um pouco à leveza que o seriado sempre passou. Mas vale ressaltar que Unbreakable Kimmy Schmidt: Kimmy x Reverendo não foge do estilo de comédia da série, apenas expande mais os ambientes de filmagem e inclui alguns novos personagens, com destaque para o Príncipe Frederick, interpretado por Daniel Radcliffe, que está totalmente adorável!

Nota:


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Designer de moda e redatora gaúcha, vivendo em São Paulo. Interessada por arte e cultura pop em suas mais diversas áreas. Por ser uma romancista entusiasta, curte assistir adaptações literárias para o cinema, e pela ligação acadêmica com figurino, longas de época ocupam o topo da sua lista de filmes favoritos. Além disso, possui o super poder de guardar com facilidade nomes de artistas e apontar suas participações em produções.

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