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Disforia | Crítica

Disforia | Crítica

Disforia

Ano: 2019

Direção: Lucas Cassales

Roteiro: Lucas Cassales, Thiago Wodarski

Elenco: Rafael Sieg, Isabella Lima, Vinícius Ferreira, Ida Celina, Janaína Kremer, Juliana Wolkmer, Manoela Wunderlich, Kaya Rodrigues, Gabriela Poester, Suzana Witt, Martha Brito

O dicionário define ‘disforia’ como “estado caracterizado por ansiedade, depressão e inquietude”, e é exatamente essa aura que o filme de mesmo nome quase consegue construir durante sua curta uma hora e 37 minutos de duração. Não que a obra seja ruim; tem seus acertos e competências, mas acaba se perdendo sobre sua própria proposta, e patina um pouco no final.

Em Disforia, conhecemos Dario (Rafael Sieg), um psicólogo que carrega um trauma misterioso. Indicado por sua amiga Tânia (Janaína Kremer), passa a atender Sofia (Isabella Lima), uma criança que teve um surto violento e faz parte de uma família no mínimo disfuncional.

Ao atender a menina, Dario acaba sendo confrontado pelos fantasmas de seu passado, fazendo com que o psicólogo sofra um forte abalo emocional, que o leva a uma jornada de rancor e angústia, cercada de mistérios.

A história pode sugerir drama, mas não se enganem: o assunto é no campo sobrenatural. E a direção se preocupa em deixar isso claro desde o começo com cenas longas, pouca trilha e enquadramentos sugestivos. Já nos primeiros cinco minutos sabemos que não estamos olhando para acontecimentos normais, e que há mais para saber do que o mostrado em tela. A fotografia é bonita mas levemente dispersa, atrapalhando em alguns momentos que deveria ajudar, principalmente ao situar as localidades da trama.

Além disso, as atuações são fracas, o que compromete o peso de algumas cenas. O elenco é esforçado, mas a falta de naturalidade incomoda ao longo do filme. Vinícius Ferreira, que interpreta Paolo, está mais natural nas cenas do passado, e não encontra o tom certo para trazer vida ao pai sisudo e distante que foi escrito.

Crítica de Disforia

Por outro lado, um dos maiores destaques positivos também está no elenco. ManoelaWunderlich faz um trabalho incrível, mesmo com pouco tempo de tela. Sua atuação é primorosa, e eleva o nível da produção como um todo. Cris, sua personagem, está presente em momentos capitais da história, e Wunderlich não decepciona.

A trilha sonora é minimalista, aparecendo de forma pontual e acertada, dando um tom intimista ao filme. Até mesmo a mixagem de som ajuda o espectador a se situar em determinados momentos: por vezes estamos bem próximos, ouvindo tudo com clareza; e por vezes temos que assistir de longe para não nos metermos em um momento que não nos pertence.

Mas a parte técnica tem peso menor que a história contada. A trama é intensa, contada em um ritmo devagar – por vezes até demais – e tem no mistério seu carro chefe. As atuações podem comprometer por vezes, mas o roteiro é sólido. A trama é consistente e apresenta um final simbólico, que recompensa os espectadores mais observadores com uma conclusão dolorosa para uma história envolvente.

Disforia é uma história de mistério, com um pé no sobrenatural, e uma abordagem incomum para um acontecimento infeliz do mundo real. Com um roteiro sutil e firme, se segura bem apesar das fracas atuações — com exceções! — e de pequenos problemas técnicos. A produção é boa, o resultado é positivo e contará algo novo ao espectador toda vez que for assistido. Um trabalho surpreendente com um resultado mais que positivo.

Nota:


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Ator, escritor, diretor e roteirista, Gabryel é ruim em todas essas coisas. Crítico por natureza, adora reclamar de tudo, e é fã de filmes que ninguém tem paciência pra assistir. Carrega a convicção de que Click é um clássico cult e quem discorda é clubista.

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