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O Homem-Aranha no cinema, do pior ao melhor filme

O Homem-Aranha no cinema, do pior ao melhor filme

O Homem-Aranha é um dos super-heróis mais populares — e mais bem-sucedidos — de todos os tempos. E, por ser um fenômeno nas HQs, obviamente, ele ganhou o audiovisual.

O primeiro filme em live-action baseado no personagem, mesmo não sendo oficial, foi o curta Spider-Man, de Donald F. Glut, em 1969. Ele foi seguido por Spider-Man, em 1977, feito para a televisão e que estreou na rede CBS. Ele foi estrelado por Nicholas Hammond e foi projetado como um episódio piloto para o que se tornou uma série de televisão semanal.

No entanto, o primeiro filme feito para chegar às telonas foi Homem-Aranha, de 2002, dirigido por Sam Raimi e estrelado por Tobey Maguire. E é a partir dele que vamos fazer um ranking do pior ao melhor longa solo do Amigão da Vizinhança.

Os membros da redação do Sala Crítica deram notas para todas as produções do Teioso e, com a média, elencamos os filmes. Confira:


  • Homem -Aranha 3 (2007), por André Bozzetti – Média: 4,75

Os filmes do Homem-Aranha, do pior ao melhor

Três anos depois de lançar Homem-Aranha 2, que é, indiscutivelmente, um dos melhores filmes de super-herói já feitos, Sam Raimi tinha tudo para entregar uma conclusão épica para a trilogia. Afinal de contas, o primeiro filme já havia sido ótimo, e o segundo conseguiu superá-lo completamente. Mesmo diretor, mesmo elenco, um herói consolidado nas telas. O que poderia dar errado? Ao que parece, tudo. Contra todas as probabilidades, Homem-Aranha 3 conseguiu errar praticamente em tudo que se propôs. A química entre Peter Parker (Tobey Maguire) e Mary Jane (Kirsten Dunst), que nunca foi o forte da franquia, foi totalmente pelo ralo. Com os vilões, outra decepção. Tanto Venom quanto o Homem-Areia poderiam ter ótimas histórias, e serem ameaças realmente grandiosas ao amigão da vizinhança, mas o que vemos é um roteiro bagunçado e atuações constrangedoras apresentarem uma sucessão de cenas que promovem vergonha alheia. Fazer do Homem-Areia uma espécie de bobalhão azarado já seria um erro. No entanto, reescrever a história da morte do Tio Ben para inseri-lo, foi ainda mais ridículo. Os efeitos do simbionte na personalidade de Parker, que é uma premissa legal trazida dos quadrinhos, foi tão mal executada que o resultado dela transformou o personagem em memes, do Aranha-Emo, da dancinha do Peter Parker, entre outros. E, para jogar a pá de cal, James Franco como Harry Osborn e seu Duende (Verde? Macabro? Patético?). A parceria entre o Aranha e o Duende, enfrentando os vilões no final do filme, é tão ilógica quanto sem graça. Não surpreende que nem Sam Raimi goste do filme que entregou para o público, que obrigou a Sony a fazer um reboot geral do personagem.


  • O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro (2014), por Diego Francisco – Média: 5,37

Os filmes do Homem-Aranha, do pior ao melhor

Depois de um começo morno, mas ainda assim satisfatório, existiam grandes expectativas para o segundo filme do reboot da Sony. O material de divulgação era ótimo, o uniforme do Aranha era perfeito. Parecia que tudo estava caminhando para dar certo e foi um grande descarrilamento. O filme conseguiu errar em todos os vilões: Electro (Jamie Foxx) virou um bebê chorão que só queria um pouco de atenção e a aparência dele é roubada diretamente do Doutor Manhattan; o Duende Verde (Dane DeHaan) virou um adolescente mimado com motivações fracas e visual drogado; e o Rino (Paul Giamatti) virou um mecha que dispara mísseis. O enredo é péssimo e passava mais tempo estabelecendo sequências (que não aconteceram, ainda bem) do que contando uma história competente. Felizmente, o desastre não é completo por causa de algumas partes que funcionam. Andrew Garfield era um ótimo Aranha (ainda que não um Peter Parker convincente), a química dele e o romance com a Gwen Stacy (Emma Stone) foram muito bem executados e algumas cenas de ação eram bem inspiradas. O Espetacular Homem-Aranha 2 foi o primeiro exemplo de estúdios tentando copiar o feito incrível do MCU, tentando fazer histórias desnecessariamente complexas para desencadear o maior número de spin-offs possíveis. E quem mais perdeu foi Garfield, preso nos filmes mais esquecíveis do herói mais icônico do cinema.


  • O Espetacular Homem-Aranha (2012), por Gabryel Nunes – Média: 6,68

Quando a Sony anunciou que faria um reboot do Homem-Aranha, a fanbase pirou. Uma parte dos fãs eram contrários, alegando que era muito cedo; outra parte comemorou por dar outra chance ao herói após o DESASTRE que foi Homem-Aranha 3; muitos de nós só queríamos assistir mais aventuras do Teioso. Andrew Garfield foi escalado para viver Peter Parker nessa nova versão, que teve alguns erros e bastante acertos. Se por um lado a dinâmica com Tio Ben foi escanteada, o mistério envolvendo a morte dos pais de Peter agregou bastante à trama. A revitalização do personagem foi muito bem-vinda, e foi bom ver um ator com menos de 40 anos interpretando um adolescente. O roteiro do filme vacilou em alguns momentos, mas nada que atrapalhasse demais a história. No fim das contas, a renovação trouxe novos fãs ao herói, garantiu uma sequência e apagou aquele gosto horrível deixado pelo tenebroso Homem-Aranha emo de Sam Raimi.


  • Homem-Aranha: Longe de Casa (2019), por João Vitor Hudson – Média 7,87

Os filmes do Homem-Aranha, do pior ao melhor

A segunda aventura solo do Aranha de Tom Holland serviu também como um epílogo para o filme anterior do Universo Marvel, o épico Vingadores: Ultimato. Após os eventos do longa, Peter Parker precisa voltar à rotina do Ensino Médio ao mesmo tempo que quer tirar um tempinho de ser um super-herói. Ele aproveita as férias da escola (que vai bancar um tuor por toda a Europa) para deixar de ser o Homem-Aranha. Mas os perigos do mundo acabaram, e Parker não tem mais Tony Stark para fazer essa parte. Surge então a intrigante figura de Quentin Beck/Mysterio (Jake Gyllenhaal), um suposto agente da SHIELD vindo de um universo paralelo de onde saíram monstros elementais com foco na destruição da nossa Terra. Qualquer informação a partir desse ponto da história seria considerada spoiler, mas Longe de Casa é um bom filme que funciona para amadurecer o Peter Parker adolescente de Holland. É aqui que o Parker que estávamos acostumados a ver entende as responsabilidades que vêm com grandes poderes, responsabilidades essas que vão desde proteger pessoas inocentes à cuidar daquelas que ele ama, como a Tia May (Marisa Tomei) e sua paixão MJ (Zendaya). Homem-Aranha: Longe de Casa ainda é o último vislumbre do MCU que tivemos no cinema, já que Viúva Negra, que seria lançado em maio deste ano, foi adiado por conta da pandemia de Covid-19.


  • Homem-Aranha: De Volta ao Lar (2017), por Luna Rocha – Média: 8,25

Os filmes do Homem-Aranha, do pior ao melhor

A cada franquia que passa, o nosso herói aracnídeo rejuvenesce mais e, dessa vez, no reboot Homem-Aranha: De Volta ao Lar, Peter Parker (Tom Holland) conseguiu beber da fonte da torre de comando dos Vingadores, inclusive com direito à mentoria milionária de Tony Stark (Robert Downey Jr.). Mas não foi só ele que aparentemente descobriu como voltar no tempo, porque a nova tia May (Marisa Tomei) parece ter aderido aos produtos Ivone, hein… Mudanças drásticas à parte, o filme retrata o início da carreira do jovem Aranha, após ter dado uma ajudinha aos heróis veteranos em Capitão América: Guerra Civil. O enredo do filme tem um ponto forte que agradou muito aos fãs: não repetirem a história já manjada do velho tio Ben perdendo a vida (aprenda, Batman vs. Superman!). Apesar de ser um garoto novo e sem grande bagagem conhecida, Holland conquistou a simpatia do público ao apresentar um Peter espirituoso e bem-humorado, sem falar que, de quebra, ainda deu um ótimo pontapé inicial contracenando com o renomado Michael Keaton, que interpretou o Abutre, um dos melhores vilões dos filmes do Homem-Aranha até hoje, e se você não acha isso, pelo menos tem que concordar que a motivação dele é a mais plausível, afinal, dominar o mundo já está muito fora de moda!


  • Homem-Aranha (2002), por Paola Rebelo – Média: 8,56

Os filmes do Homem-Aranha, do pior ao melhor

Lá em 2002, a vida dos super-heróis no cinema era bem diferente do que temos hoje. Não havia a ideia de universos compartilhados de filmes e mesmo as franquias mais longas (como X-Men) recém estavam saindo das fraldas. Nesse contexto, surge o primeiro filme contemporâneo do Cabeça-De-Teia. Com a direção de Sam Raimi — após anos provando para a indústria cinematográfica que também sabia trabalhar com padrões hollywoodianos, e não apenas o horror trash com seus baldes de sangue —, assim surgiu Homem-Aranha, protagonizado por Tobey Maguire. Até hoje, um dos filmes mais consagrados do Amigão da Vizinhança, Raimi trabalhou com afinco para deixar seu longa-metragem o mais parecido possível com uma história em quadrinhos. Mesmo que tenha quem reclame de algumas parcelas do elenco (como o fato de Maguire ser velho demais para o papel de Peter Parker ou a MJ de Kirsten Dunst com sua personalidade nem um pouco marcante), o filme que iniciou a trilogia de Raimi nos trouxe alguns dos papéis mais marcantes em filmes da Marvel até hoje, como J. K. Simmons como J. J. Jameson, o falecido Cliff Robertson como Tio Ben e o inigualável Willem Dafoe com todas as suas facetas psicopatas no papel do Duende Verde.


  • Homem-Aranha 2 (2004), por Carlos Redel – Média: 9,68

Os filmes do Homem-Aranha, do pior ao melhor

Muito já se foi dito sobre Homem-Aranha 2, isto porque é um dos melhores filmes de super-heróis de todos os tempos — se não for o melhor. Mas como? O longa não abriu as portas para o subgênero nos cinemas, sequer foi o pontapé inicial do Teioso nas telonas. A resposta é que ele conta com um elemento essencial e que nunca mais foi repetido neste nível em outras produções: o significado do que é ser um herói. Cheio coração, o longa levou a visão de fã de Sam Raimi para o audiovisual, entregando uma história cheia de emoção, humor, ação e que mostrou o peso que é ser um super-herói. Tudo perfeitamente dosado. Na trama, Peter Parker (Tobey Maguire, eterno) percebe que sua vida pessoal está sendo destruída por conta do manto do Homem-Aranha e, após não conseguir conciliar as duas identidades, ele desiste de ser o Amigão da Vizinhança. Porém, com grandes poderes, vêm grandes responsabilidades, como já dizia o Tio Ben. E ele precisa voltar a ser o Teioso para salvar a sua amada — e a cidade. E o final da história, bem, todos conhecemos. Além disso, o longa conta com um dos vilões mais classudos do cinema: o grande Doutor Octopus. E ainda tem aquele discurso emocionante da Tia May… Que filme!


  • Homem-Aranha no Aranhaverso (2018), por Rafael Bernardes – Média: 9,85

Após uma reformulação do Amigão da Vizinhança no Universo Cinematográfico Marvel, com Capitão América: Guerra Civil e Homem-Aranha: De Volta ao Lar, de 2017, o rumo do Teioso parecia estar definido, sendo incluído em Vingadores: Guerra Infinita. Porém, sabe que aquele ditado: “Em time que está ganhando não se mexe”? A Sony não concordou e resolveu utilizar os personagens desse universo tão rico em uma animação com uma roupagem de quadrinhos. A tentativa de fazer mais dinheiro ainda com o personagem era válida, mas o resultado final foi uma grata surpresa para todos os fãs. Além de utilizar Peter Parker no longa, os criadores da animação tiveram coragem e apresentaram Miles Morales para o grande público. Era o que todos que acompanham os quadrinhos do Homem-Aranha pedem a tanto tempo e finalmente colocaram o personagem como protagonista. Tudo bem que foi em uma animação, mas ainda é válido. Porém, é de se questionar a razão de termos sete live-actions do Homem-Aranha e só em uma produção animada resolveram apresentar Miles. Com certeza, os incansáveis reboots e fracassos possuem um papel importante nessa demora, mas a insistência em ampliar a representatividade é algo que precisa ser debatido. Mesmo assim, precisamos exaltar essa obra que, mesmo tardia, acerta em tudo o que se propõe, tendo a coragem que a própria Sony e a Marvel não tiveram e, por se tratar de uma animação, tiveram toda a liberdade criativa para ampliar o universo do Homem-Aranha que conhecemos e introduzir o Multiverso. Por conta disso, somos apresentados a diversos personagens carismáticos e com infinitas possibilidades de exploração, o que aquece o coração de cada fã, que só queria ver em tela o que lê há tanto tempo. A história de Homem-Aranha no Aranhaverso não é simples, mesmo que em alguns momentos seja conveniente para beneficiar o protagonista, mas não é um demérito grande suficiente para nos importarmos, pois todos os acertos em trabalhar um personagem complexo, cheio de inseguranças, filho de pai afro-americano e mãe latina, com seus problemas reais de adolescente e num contexto social palpável fazem Homem-Aranha no Aranhaverso ser um dos melhores filmes do Amigão da Vizinhança, se não for o melhor (polêmica). E eu nem citei a incrível trilha sonora, que se mistura aos traços quadrinescos da animação, que consegue realizar cenas de ação que com certeza emocionaram o saudoso Stan Lee. Se trata de uma pérola dos quadrinhos reproduzida em tela, com muita representatividade e que possibilita infinitas possibilidades para que continuações sejam feitas. Qualquer defeito que possa conter é insignificante perto dos seus inúmeros acertos.


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Jornalista e radialista, é um dos fundadores do Bode na Sala. Se orgulha de ter nascido em São Borja, no interior do Rio Grande do Sul, e, atualmente, mora em Porto Alegre. Trabalhou em todas as áreas que se pode imaginar, mas acabou caindo no submundo geek. É fã do Jim Carrey, acha que o Ben Affleck é o melhor Batman do cinema, não suporta pseudo-cultismo e pretende dominar o mundo.

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