Sala Crítica
Mulan | Crítica

Crítica de Mulan (2020)Mulan

Ano: 2020

Direção: Niki Caro

Roteiro: Rick Jaffa, Amanda Silver, Elizabeth Martin, Lauren Hynek

Elenco: Yifei Liu, Donnie Yen, Li Gong, Jet Li, Jason Scott Lee, Yoson An, Tzi Ma, Rosalind Chao

A história da guerreira Mulan é, certamente, uma das mais poderosas já contadas pela Disney. A animação de 1998 foi um grande sucesso e disseminou a lenda chinesa para o mundo, inspirando uma legião de fãs — ao mesmo tempo em que os divertia com personagens cativantes e carregados de bom humor. E o mais importante: funcionaria perfeitamente em live-action.

Assim, era óbvio que a empresa do Mickey Mouse teria interesse em recontar a famosa história oriental com atores de carne e osso, buscando encher os seus cofres — ainda mais com a força do mercado chinês para o cinema. No entanto, com a pandemia do novo coronavírus e uma série de polêmicas, entre elas, possíveis boicotes e críticas por conta das mudanças na trama em relação à animação, o longa acabou encontrando um novo destino: o Disney+.

No serviço de streaming, o filme busca por seu público e por pagar o seu alto custo de produção, estimado em US$ 200 milhões. Porém, mesmo sendo uma jogada interessante da gigante do entretenimento, é uma pena que Mulan não tenha chegado às telas de cinema. A experiência na telona, provavelmente, seria o grande diferencial do longa, uma vez que o seu visual é incrível, mas não tem uma história tão cativante quanto a animação noventista, além de cortar pontos importantes para o desenvolvimento da protagonista.

Ao contrário de outras adaptações da Disney, como O Rei Leão e Aladdin, que foram acusadas de reproduzir quadro a quadro os seus filmes originais, Mulan realiza grandes mudanças para deixar a história mais ‘séria’ e, também, para não ofender a cultura chinesa — um dos motivos por tirarem o Mushu da trama, por exemplo. E, com essas alterações, incluindo a falta das músicas, a história perde força, não conseguindo preencher o espaço com um desenvolvimento interessante da protagonista ou dos personagens secundários.

Por mais que tenha uma notável boa vontade de passar uma mensagem de empoderamento e libertação, embrulhada com uma condução competente de Niki Caro, de Terra Fria e Encantadora de Baleias, Mulan não consegue criar uma narrativa que realmente convença. É claro que a lenda oriental é interessantíssima, mas, na transição para o live-action, tudo ficou com um ar apressado, mesmo que o longa tenha quase duas horas de projeção.

Crítica de Mulan (2020)

É claro que nem tudo são problemas em Mulan. Assim como dito acima, o visual do filme é um espetáculo, mostrando em cada detalhe que um alto valor foi investido para transformar a história em um longa digno de ser visto na maior telona possível e que, certamente, encheria os olhos de qualquer um. Os responsáveis pela direção de fotografia, pelo figurino e pelo design de produção trabalham perfeitamente e entregam produtos que convergem para um resultado nada menos que deslumbrante.

Além disso, Yifei Liu está muito bem como protagonista, demonstrando força e carisma para carregar nas costas uma produção de grande nível, tendo as qualidades necessárias para representar a poderosa guerreira da lenda chinesa. A vilã Xianniang, interpretada pela lendária Li Gong, é outro ponto positivo, trazendo uma discussão interessante para a trama e conseguindo criar uma relação importante com a mocinha da história.

Niki Caro é inventiva na hora de filmar as cenas de batalha, com movimentos de câmera que buscam levar o espectador para dentro das lutas, conseguindo transitar com competência por vários cenários, extraindo ótimos resultados. São nos momentos dramáticos que a diretora não consegue extrair as emoções necessárias — a decisão de Mulan ir para a guerra no lugar do pai ou no momento em que ela revela para os colegas do exército que é uma mulher acabaram não trazendo impacto.

No final das contas, Mulan está longe de ser ruim, mas também não explora todo o seu potencial. É, realmente, uma produção impecável e que, provavelmente, seria uma incrível experiência cinematográfica. Porém, o live-action não consegue preencher os vazios deixados nesta adaptação, ficando claro que os elementos removidos da animação fizeram uma enorme diferença. Mesmo assim, com seus erros, o filme não é uma desonra para a Disney e nem para a lenda da guerreira.

Nota:


Quer ficar por dentro de todas as novidades sobre filmes e séries? Siga a gente no Instagram!

The following two tabs change content below.
Jornalista e radialista, é um dos fundadores do Bode na Sala. Se orgulha de ter nascido em São Borja, no interior do Rio Grande do Sul, e, atualmente, mora em Porto Alegre. Trabalhou em todas as áreas que se pode imaginar, mas acabou caindo no submundo geek. É fã do Jim Carrey, acha que o Ben Affleck é o melhor Batman do cinema, não suporta pseudo-cultismo e pretende dominar o mundo.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *