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Amor Garantido | Crítica

Amor Garantido | Crítica

Crítica de Amor Garantido, da NetflixAmor Garantido (Love, Guaranteed)

Ano: 2020

Direção: Mark Steven Johnson

Roteiro: Elizabeth HackettHilary Galanoy

Elenco: Rachael Leigh Cook, Damon Wayans Jr., Heather Graham, Sean Amsing, Caitlin Howden, Alvin Sanders, Jed Rees

Mark Steven Johnson é um fenômeno do cinema. Creditado como diretor em sete filmes, ele não obteve sucesso com nenhum — mesmo que nem todos sejam desprezíveis —, fracassando entre longas de drama, como Um Pequeno Milagre; de super-heróis, como Motoqueiro Fantasma e Demolidor: O Homem Sem Medo; e comédias românticas, como Quando em Roma. Mesmo assim, inacreditavelmente, ele segue conseguindo trabalhos em Hollywood.

O seu mais recente projeto é um filme da Netflix, Amor Garantido. Mais uma vez, apostando em comédias românticas. Mais uma vez, mostrando as suas limitações como cineasta. Porém, desta vez, no serviço de streaming, conseguiu ter um hit em seu currículo — o longa, desde o seu lançamento, está entre os mais assistidos da plataforma.

Na trama de Amor Garantido, a advogada quase falida Susan Whitaker (Rachael Leigh Cook) acaba sendo procurada por Nick Evans (Damon Wayans Jr.), um ex-atleta que quer processar um site de encontros que prometia amor garantido em, no máximo, mil encontros — número alcançado pelo homem. Perto de perder o seu escritório, por falta de dinheiro, a protagonista acaba topando pegar a ação, mesmo achando que o seu cliente é um aproveitador.

Crítica de Amor Garantido, da Netflix

Rachael Leigh Cook e Damon Wayans Jr. em cena de Amor Garantido

A história até consegue apresentar uma pontinha de criatividade, mesclando comédia romântica, redes sociais e tribunal. Nada muito original, é claro, mas não deixa de, em um primeiro momento, parecer interessante. Porém, a fórmula da Netflix impera e qualquer resquício de originalidade do filme acaba se perdendo em uma enxurrada de clichês, diálogos fracos e decisões equivocadas em relação ao comportamento dos personagens.

Com um roteiro frágil e cheio de furos, em que os grandes dramas dos personagens poderiam ser resolvidos facilmente, o longa se utiliza destes problemas para que a história avance e chegue no final que todos esperam. E isto é apenas na parte do romance. Já na comédia, Amor Garantido conta com piadas fracas e que beira a vergonha alheia, como a reação de Susan no trabalho após descobrir que estava apaixonada por Nick — a personagem é completamente desvirtuada e entrega uma sequência constrangedora. Um dos encontros da protagonista com um homem que faz jejum intermitente é outro enxerto completamente sem graça e forçado.

Porém, vale destacar, a dupla protagonista, Rachael Leigh Cook e Damon Wayans Jr., é o ponto alto do longa. Os dois têm uma boa química e, além disso, conseguem convencer nos personagens — apesar de não parecer um desafio muito grande. A atriz, mais especificamente, que se tornou famoso com Ela É Demais, no encerramento dos anos 1990, mostra-se confortável com o gênero e, definitivamente, deveria estar em mais projetos (melhores que este, é claro). O grupo de coadjuvantes, por sua vez, tirando o divertido Roberto (Sean Amsing), não colabora. Todos os atores estão fraquíssimos em cena, com destaque para uma exagerada Heather Graham, que vive a bilionária Tamara Taylor, a vilã da história.

Ser clichê, no final das contas, não é o pior dos problemas de Amor Garantido, afinal, existem ótimos filmes que, mesmo cheios de lugares-comuns, conseguem entregar um excelente resultado. Não é o caso da nova produção da Netflix, infelizmente. Ao utilizar a manjada fórmula das comédias românticas do serviço de streaming, a produção não desperdiça uma trama que poderia render bons frutos, além de uma boa dupla de protagonistas. Assim, a única lição que fica é: se o filme é assinado por Mark Steven Johnson, não espere grandes coisas…

Nota:


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Jornalista e radialista, é um dos fundadores do Bode na Sala. Se orgulha de ter nascido em São Borja, no interior do Rio Grande do Sul, e, atualmente, mora em Porto Alegre. Trabalhou em todas as áreas que se pode imaginar, mas acabou caindo no submundo geek. É fã do Jim Carrey, acha que o Ben Affleck é o melhor Batman do cinema, não suporta pseudo-cultismo e pretende dominar o mundo.

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