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Especial | 12 filmes com Adam Sandler que, sim, são muitos bons!

Especial | 12 filmes com Adam Sandler que, sim, são muitos bons!

Quando se fala em Adam Sandler, a primeira coisa que vem à cabeça da maioria das pessoas é “filme ruim”. E não é para menos: o ator fez, na maior parte de sua carreira, escolhas infelizes, investindo em comédias pastelão e de péssima qualidade.

Mesmo enfileirando bombas em seu portfólio, o comediante consegue se manter na lista dos mais bem pagos de Hollywood, o que gera revolta naqueles que nutrem um ódio cego por Sandler (muitos fazem isso por puro modismo, mas não vem ao caso). Mas será que o ator é, realmente, apenas um sinônimo para filmes ruins? Nós, do Sala Crítica, achamos que não!

Por mais que ele tenha uma grande lista de longas bem questionáveis, existem obras do ator que merecem a sua atenção, por entregarem muito mais do que estamos acostumados a ver de Sandler. E, algumas, inclusive, mostram que o comediante é, também, um ator de drama muito competente. Duvida? Confira a nossa lista e surpreenda-se!


  • Embriagado de Amor (2002), por Carlos Redel

Como todo mundo sabe (ou deveria), Paul Thomas Anderson é um dos melhores diretores de sua geração. O cineasta entregou, nos últimos 20 anos, produções memoráveis, que vão de Boogie Nights e Magnólia até Sangue Negro e O Mestre. Mas, entre elas, o diretor nos presenteou com uma pérola que merecia mais reconhecimento: Embriagado de Amor, uma comédia dramática estrelada por quem? Sim, ele mesmo, o nosso querido Adam Sandler! E não só isso, o ator foi indicado ao Globo de Ouro por sua atuação, que está incrível e merecia ter sido premiada (perdeu para Richard Gere, de Chicago). O longa conta a história de Barry Egan (Sandler), um solitário pequeno empresário que vende desentupidores de vaso “especiais” e que passa suas noites buscando companhia em um serviço de tele-sexo. Ele é uma pessoa inconstante e desajustada, que, facilmente, tem destruidoras crises de raiva. Barry, também, descobriu uma falha na promoção de um fabricante de alimentos, que dá bônus de milhagens para uma companhia aérea. Assim, ele pretende ganhar milhas para passar o resto de sua vida viajando de graça. Mas sua vida muda quando o protagonista acaba dando uma chance para Lena (Emily Watson), por quem se apaixona. E é dessa dupla que vem um dos diálogos sobre amor mais incríveis do cinema:

“Você é tão linda. Eu te amo tanto que quero destruir sua cara com uma marreta”, diz Barry.

“Amo você tanto que quero arrancar seus globos oculares e chupá-los e depois dar um soco nas suas bolas”, responde Lena.

Tudo de uma maneira docemente irracional. A qualidade do trabalho de PTA é incrível, colocando Sandler em cantos, minimizando o seu personagem, para mostrar o quanto ele se sente oprimido em um mundo que parece não se encaixar com ele. Com um tom melancólico, o longa desperta sentimentos dos mais variados.  Sim, você precisa ver esse filme!


  • Homens, Mulheres e Filhos (2014), por Camila Lopes

O diretor Jason Reitman é consagrado por apresentar ideias criativas em comédias maduras, que divertem – sem deixar de lado os temas profundos e complicados de trazer para o cinema. Seus filmes são focados nos anti-heróis da vida real, personagens com problemas morais, arrogantes e deslocados dos demais, mas, que de alguma forma nos cativam, nos mantendo na torcida por eles. Homens, Mulheres & Filhos é um recorte essencialmente malvado da era digital. Assim como em Juno, o longa recria o universo dos personagens adolescentes. Na história Ansel Elgort (Baby Driver) é Tim Mooney, um estudante do ensino médio cuja mãe abandonou a família, levando a sua renúncia ao time de futebol e passando a ocupar as tardes com videogame. O interesse amoroso de Tim, Brandy Beltmeyer (Kaitlyn Dever), tem seus próprios dramas. Sua mãe Patricia (Jennifer Garner) é totalmente controladora e conhece todas as senhas da filha na internet, ela vigia e limita (insanamente) o comportamento social de Brandy. Em outra parte da narrativa, temos Don (Adam Sandler) e Helen Truby (Rosemarie DeWitt) com um filho viciado em pornografia, que não consegue se relacionar fora do mundo virtual com Hannah (Olivia Crocicchia), cuja a mãe publica fotos em trajes sexualmente sugestivos para serem vendidos na web, acreditando cegamente que está impulsionando a carreira de modelo da garota. Para além dos problemas do núcleo jovem e dos pais problemáticos, somos presenteados com uma das interpretações mais queridas de Sandler, ele dá vida a um cara comum, que está passando por uma crise no casamento e, com isso, acaba buscando por sites pornôs no computador do próprio filho! A maneira cômoda que Don encara os problemas é extremamente irritante, porém, o carisma de Sandler faz com que a gente torça por ele e pelo casal fracassado. Apesar de tudo, por mais esquizofrênico que o longa aparente ser, Homens, Mulheres e Filhos consegue entregar uma ótima comédia dramática.


  • Reine Sobre Mim (2007), por Camila Lopes

Caminhando na contramão de todas as comédias em que Sandler já esteve envolvido, em Reine Sobre Mim ele assume o papel de protagonista em um drama pesado, que na época do lançamento, não conseguiu atrair o público aos cinemas e deixou a crítica dividida. Anos mais tarde, indo parar nas plataformas de streaming, se tornou um dos filmes da carreira do ator muito compartilhado entre as pessoas. Sem apelar para clichês, o longa revive – de maneira muito particular – uma das maiores tragédias dos EUA, o atentado terrorista às Torres Gêmeas em 2001. Na trama, vemos um Adam Sandler atordoado, na pele de um homem solitário que perdeu a esposa e as três filhas na fatalidade do 11 de setembro. Após parar em um manicômio depois de tentar cometer suicídio, ele desenvolve um bloqueio de memória, para esquecer as mágoas do passado. O viúvo, Charlie Fineman, está distante do sentido da vida, ele se afasta dos amigos e se tranca em um universo particular de discos e jogos de videogames. Para tentar “salvar” Charles, é inserido na história o personagem de Don Cheadle, Alan Johnson, um dentista residente da cidade de Nova York, que passa os dias na mesmice até encontrar, por acaso, o seu ex-companheiro da época da faculdade, Charles. Sem muito com o que se preocupar, ele busca se aproximar do amigo e acaba se deparando com uma pessoa totalmente fora de órbita, vivendo um estresse pós-traumático. Sandler interpreta de forma muito positiva a negação de Charles pela morte da sua esposa e filhas. De forma inesperada, ele realiza uma mudança de tom na interpretação para provar que pode encarar qualquer trabalho.


  • Tá Rindo do Quê? (2009), por Carlos Redel

Essa comédia dramática dirigida por Judd Apatow, na verdade, tem pouco de comédia. O filme acompanha a vida de um comediante que faz muito sucesso protagonizando filmes de comédia de qualidade duvidosa (papel perfeito para o Sandler, não?), mas que é frustrado em sua vida pessoal, sem amigos de verdade e, para completar, descobre que está doente. Assim, ele, acompanhado pelo seu potencial sucessor na comédia (Seth Rogen), embarca em uma jornada para reencontrar a graça de viver. Com um tom melancólico e bons diálogos, Tá Rindo do Quê? é um dos filmes mais adultos de Sandler e que, de maneira bem realista, busca mostrar que a vida de quem nos faz rir pode não ser tão engraçada assim.


  • Golpe Baixo (2005), por Carlos Redel

Eis aqui a primeira comédia-comédia da lista. Golpe Baixo, que é uma refilmagem do filme homônimo de 1974, acompanha a decadente jornada de Paul Crewe (Sandler), um famoso ex-jogador de futebol americano que acaba indo parar em uma prisão. Acusado de entregar um importante jogo no passado, Crewe, agora, precisará liderar um time de detentos, que enfrentará a equipe dos guardas em um violento jogo. Divertido, o longa consegue se sobressair entre as produções do gênero estreladas por Sandler, não descendo tão baixo para fazer graça (sim, há piadas bobas, mas em menor dose). O elenco de apoio, que vai de Chris Rock, Terry Crews, o cantor Nelly até Burt Reynolds (protagonista do filme original), está bem entrosado e parece muito à vontade no longa. A produção, para quem consegue enxergar Adam Sandler como um quarterback, acaba sendo uma boa pedida para rir despretensiosamente, curtir um pouco de futebol americano (a cena da lama, muito bem filmada, é divertidíssima) e não sair com a impressão de que perdeu duas horas de sua vida vendo uma comédia ruim – como o Sandler, infelizmente, quer nos acostumar.


  • Afinado no Amor (1998), por Carlos Redel

Essa comédia é a primeira parceria de Sandler com Drew Barrymore – que repetiriam a dose em Como Se Fosse a Primeira Vez e em Juntos e Misturados. Casando bem as piadas costumeiras do comediante com um romance bonitinho, Afinado no Amor conta a história de Robbie Hart (Sandler), que sonha em se tornar um grande compositor de música, mas que, para ganhar a vida, faz sucesso cantando em casamentos. Em uma das festas em que trabalha, o cantor acaba conhecendo a divertida garçonete Julia (Barrymore). No entanto, ele acaba não se aproximando da jovem, já que se casaria em breve. Quando sua noiva o abandona no altar, Robbie perde toda a vontade de seguir em frente (há uma hilária sequência em que ele canta deprimido, inclusive). No entanto, tudo muda quando o protagonista descobre que o noivo de Julia é infiel – além de ser um babaca – e, então, ele fará de tudo para tirar a moça dessa roubada e conquistá-la. Com muitos cabelos estilosos, roupas espalhafatosas, brilhos e música dos anos 1980, Afinado no Amor é clichê, mas, ao mesmo tempo, uma das comédias mais legais da carreira de Sandler e merece ser vista (ou revista)!


  • O Paizão (1999), por Rafael Bernardes

O longa gira em torno de Sonny Koufax, um cara de 32 anos que age como adolescente (papel recorrente na carreira do ator), que acaba adotando um garoto de 5 anos, para provar a sua maturidade. O filme é leve, possui um ritmo agradável e o humor é muito bem aplicado. Adam Sandler está muito bem no papel, mesmo sem precisar de uma grande atuação. Ele entrega bem o que foi proposto ao personagem e dita o ritmo da trama. A mensagem apresentada na história é extremamente positiva, contendo reviravoltas e um drama bem desenvolvido. Os demais atores também contribuem para que o longa seja bom. O Paizão é aquele filme de Sessão da Tarde que guardamos com carinho na memória e quando passa na televisão é difícil de não assistir.


  • Como se Fosse a Primeira Vez (2004), por Rafael Bernardes

Um dos melhores filmes da carreira de Adam Sandler! Como se Fosse a Primeira Vez mostra a vida de Henry, um veterinário mulherengo e bem de vida. Ele acaba conhecendo Lucy, uma mulher com problemas de memória e entra na saga de tentar conquistá-la. O que poderia ser uma comédia romântica genérica, se torna um ótimo filme, com momentos dramáticos e reflexões importantes. Sandler está muito bem no papel, apesar de parecer que já vimos esse personagem antes (nos demais filmes dele, talvez). Uma curiosidade interessante sobre o longa é que ele foi gravado no Havaí, porque o ator queria tirar férias no local. Se trata de um ótimo filme, com um roteiro redondo, que diverte e emociona


  • Os Meyerowitz: Família Não Se Escolhe (2017), por Carlos Redel

Eis um filme curioso. Apesar de ter sido lançado pela Netflix, ele não é uma produção original do serviço de streaming — foi vendido para a plataforma depois de pronto. O longa, como o título já diz, acompanha a história dos Meyerowitz, uma família que tem o escultor e professor de arte aposentado Harold (Dustin Hoffman) como patriarca. Por conta de seus vários casamentos, acabou tendo três filhos, sendo que Danny (Adam Sandler) e Jean (Elizabeth Marvel) são da mesma mãe, mas Matthew (Ben Stiller) não. Todos os irmãos têm características bem diferentes, mas compartilham algo em comum: frustrações relacionadas ao pai. E esse é o fio-condutor do longa. O diretor Noah Baumbach cria em Os Meyerowitz uma agridoce história familiar, com momentos engraçados — mas nem tanto — e um drama bem dosado. É uma ótima reflexão sobre relacionamentos de pais, filhos e irmãos. Aplaudido em Cannes por sua atuação no drama, Sandler chegou a ter seu nome cotado para o Oscar de 2018, mas, infelizmente, a Academia não reconheceu a ótima performance do ator.


  • Tratamento de Choque (2003), por Ítalo Passos

Mesmo Dave (Sandler) sendo um cara tranquilo e que não é acostumado a entrar em nenhum tipo de confusão, acaba se envolvendo em uma discussão em um avião e, por conta disso, é enviado a um especialista para controlar sua raiva. O filme acaba ganhando nossa atenção por criar situações absurdas, mas, ao mesmo tempo, hilárias. Além de Sandler, o filme ainda conta com uma atuação pirada de Jack Nicholson e a participação da bela Marisa Tomei. Pode ter certeza que, com essa mistura, a risada é garantida.


  • Click (2006), por Ítalo Passos

Infeliz profissionalmente e com sua família, Michael (Sandler) ganha um controle que pode acelerar o tempo e utiliza o mesmo para evitar momentos chatos que envolvem sua vida e isso acaba desencadeando eventos que o farão se arrepender para sempre. A filmografia de Adam Sandler pode ser questionável, mas uma coisa não podemos negar: a sua vontade de passar alegria e uma mensagem familiar para o público. Click talvez seja o filme mais forte de sua carreira em relação a ‘família’. Com uma mistura de comédia e drama, o longa tem momentos que realmente nos fazem refletir sobre como estamos gastando nosso tempo com coisas sem importância. Algo totalmente válido nos dias de hoje.


  • Joias Brutas (2019), por Diego Francisco

Joias Brutas

Apesar de nunca ter sido queridinho das premiações, algumas atuações do Sandler realmente se sobressaem e mereciam um reconhecimento que o comediante nunca recebe. Ele merecia ao menos ter sido indicado ao Oscar por sua performance brilhante em Joias Brutas, o que não aconteceu — mas, ao menos, ele levou para casa o Independet Spirit Awards de Melhor Ator. Na trama, Sandler interpreta Howard Ratner, um joalheiro viciado em apostas. Ratner enrola todo mundo da sua vida, trai a esposa e deve dinheiro pra quase todo mundo que conhece. A sorte dele parece mudar quando ele coloca as mãos em uma opala negra e pretende leiloa-la por um milhão de dólares — mas precisa contornar a todos antes que conseguir pagar as suas dívidas. Dirigido com muita competência pelos irmãos Josh e Benny Safdie, Joias Brutas é um intenso e exaustivo ataque de ansiedade. O filme te mantém à beira de um infarto a todo o momento e não te deixa respirar até os créditos finais.


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Jornalista e radialista, é um dos fundadores do Bode na Sala. Se orgulha de ter nascido em São Borja, no interior do Rio Grande do Sul, e, atualmente, mora em Porto Alegre. Trabalhou em todas as áreas que se pode imaginar, mas acabou caindo no submundo geek. É fã do Jim Carrey, acha que o Ben Affleck é o melhor Batman do cinema, não suporta pseudo-cultismo e pretende dominar o mundo.

Comments

  1. Adoro a página, vocês são super talentosos…mas espanglês….

    • hahahaha Assisti Espanglês no cinema, em uma pré estréia gratuita e nunca mais. Mas na época achei um filme nota 6, o que é ÓTIMO para um filme do Adam Sandler. hehehe

    • Oi, Pedro. Muito obrigado pelo elogio. Sobre o Espanglês, acho o filme bem legal, mas depois desse especial, vi que sou um dos poucos que pensam assim… Hehehehe

  2. Putz… Espanglês?? E olha que eu até gosto do Adam Sandler… No mais, muito boa a lista!!

  3. Não vi o que faliu sobre Espanglês, mas como sou fã do Adam adorei o post.
    Acho que mesmo sendo ruim acaba sendo bom.. Como se fosse a primeira vez é um dos meus filmes favoritos da vida!!

  4. Bah reine sobre mim é incrível … Um dos filmes que mais me surpreendeu .

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