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A Babá: Rainha da Morte | Crítica

A Babá: Rainha da Morte | Crítica

Crítica de A Babá: A Rainha da MorteA Babá: Rainha da Morte (The Babysitter: Killer Queen)

Ano: 2020

Direção: McG

Roteiro: McG, Dan Lagana, Brad Morris, Jimmy Warden

Elenco: Judah Lewis, Emily Alyn Lind, Jenna Ortega, Robbie Amell, Andrew Bachelor, Leslie Bibb, Hana Mae Lee, Bella Thorne, Samara Weaving, Ken Marino

No pódio dos filmes mais assistidos desta semana na Netflix, está A Babá: Rainha da Morte, sequência direta do longa A Babá, lançado em 2017 — sem diversificar muito no que diz respeito à elenco e trama. De início,  o novo filme brinca com a ideia de que todos os eventos ocorridos dois anos antes podem nunca ter acontecido, fazendo com que o espectador passe a questionar se o personagem principal é confiável ou se ele apenas sofreu surtos ilusórios. 

A Babá: Rainha da Morte já começa fazendo um paralelo de cenas idênticas ao seu antecessor, porém com o protagonista Cole (Judah Lewis) revivendo os eventos de seu dia a dia na escola, agora como um adolescente. Se podíamos esperar que o garoto evoluísse após passar pelas situações bizarras do primeiro filme, tornando-se um jovem valente e audaz, vale avisar que devemos ir tirando nossos cavalinhos da chuva, porque a personalidade de Cole se mantém com a mesma introspecção da criança que ele era, porém somada a um teor de trauma e intimidação constante. O visual adolescente dele é algo que se destaca, porque Cole opta por utilizar vestimentas antiquadas para a sua idade, aparentando ainda mais desajustado em meio aos seus colegas de ensino médio.

Descobrimos também que mesmo que o primeiro filme desse a entender que iria rolar um romance entre ele e a personagem Melanie (Emily Aly Lind), a história dos dois tomou rumos diferentes e a mocinha, além de se tornar popular na escola, arranjou um novo namorado (um babaca, diga-se de passagem), fator totalmente plausível, porque é a coisa mais normal do mundo não nos prendermos aos primeiros crushes da vida.

Nesta continuação, somos apresentados a uma nova vilã, o que deixa um pouquinho de saudades da carismática Bee (Samara Weaving), de olhos grandes e sorriso malicioso. No entanto, pode-se dizer que a personagem que pegou seu posto parece ter incorporado exatamente o mesmo tipo de atuação e personalidade que já estávamos acostumados em ver na babá, o que torna essa mudança de foco pouco inovadora: acabamos presos a uma vilã que apenas é mais do mesmo, apesar de seu surgimento na trama ser surpreendente para quem não imaginou que haveria tal plot twist (eu imaginei, então acredito que o filme não engana tão bem a mente do espectador para plantar o inesperado). 

Quanto às questões técnicas, o longa explora muitos cenários novos e enquadramentos mais abertos, expandindo o universo que se passava em um único bairro de subúrbio americano em A Babá. Há muitas referências atuais à cultura pop nas piadas e algumas cenas meio desconexas com o enredo, como em um determinado momento no qual as personagens lutam com uma estética visual de videogames, lembrando o estilo de edição do filme Scott Pilgrim Contra o Mundo, e isso é introduzido de modo totalmente gratuito e sem contextualização. O lado mais gore de mortes expositivas é um dos poucos clichês que se mantém fazendo sentido para o gênero porque, em questão de roteiro, A Babá: Rainha da Morte apenas bebe da mesma fonte de sangue que estávamos acostumados, com um percurso semelhante e uma história que não instiga a curiosidade.

O elenco de psicopatas do primeiro filme está de volta para importunar a vida do protagonista, mas não é bem abordado como que eles conseguiram reviver após suas mortes catastróficas. Ao contrário da construção que tiveram anteriormente, na qual não sabíamos o que esperar de cada instante em que Cole daria de cara com um dos membros do grupo na perseguição do primeiro filme, agora nós temos um roteiro extremamente previsível, você percebe rápido que toda vez que o garoto encontrar com um dos personagens isoladamente, ele vai escapar e promover a morte daquele vilão, logo, o enredo vai se tornando pouco emocionante, já que você sempre prevê o que vem pela frente.

Por fim, temos uma breve aparição de Bee, que tem seu passado e motivações explicadas, porém, de forma muito fraca só para que nos possa ser enfiada uma redenção goela abaixo e ela deixe de ser tão odiável. De plus há uma cena pós-créditos que deixa em aberto a possibilidade de ocorrerem outras continuações, talvez com atores diferentes mais pra frente, tirem suas próprias conclusões.

Nota:


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Designer de moda e redatora gaúcha, vivendo em São Paulo. Interessada por arte e cultura pop em suas mais diversas áreas. Por ser uma romancista entusiasta, curte assistir adaptações literárias para o cinema, e pela ligação acadêmica com figurino, longas de época ocupam o topo da sua lista de filmes favoritos. Além disso, possui o super poder de guardar com facilidade nomes de artistas e apontar suas participações em produções.

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