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Enola Holmes | Crítica

Enola Holmes | Crítica

Crítica de Enola Holmes, da Netflix

Enola Holmes

Ano: 2020

Direção: Harry Bradbeer

Roteiro: Jack Thorne

Elenco: Millie Bobby BrownHenry CavillSam ClaflinHelena Bonham CarterLouis PartridgeAdeel Akhtar, Fiona ShawFrances de la TourSusie Wokoma

Nos últimos anos do moderno século XIX, Arthur Conan Doyle criou um personagem mundialmente conhecido: Sherlock Holmes. O universo do maior detetive do mundo é rico em personagens, como o Dr. John Watson, seu fiel amigo e companheiro em muitas de suas histórias. Além de Watson, temos também Mycroft Holmes, personagem que, no cânone das histórias de Doyle, é o irmão sete anos mais velho de Sherlock. Por mais importantes que sejam, os irmãos Holmes são apenas coadjuvantes no novo filme da Netflix, Enola Holmes.

Como Sherlock Holmes é um personagem que caiu em domínio público, é possível coexistir variadas versões do detetive. A ideia de Nancy Springer, autora da série literária Os Mistérios de Enola Holmes, não era criar mais uma história de Sherlock, mas uma nova protagonista, em que o detetive mais famoso do mundo poderia ser inserido em suas aventuras. Eis que surge a irmã mais nova dos Holmes.

Millie Bobby Brown estrela o filme como a personagem-título. Criada por sua mãe, Eudoria (Helena Bonham Carter, uma coadjuvante de luxo), Enola teve acesso em sua infância a basicamente tudo que era privado das mulheres. Educação, artes marciais, literatura e esportes substituíram o bordado e a etiqueta que mulheres precisavam saber. Um dia, Eudoria desaparece sem avisar, e os irmãos Sherlock (Henry Cavill) e Mycroft Holmes (Sam Claflin) voltam de Londres para ajudar a irmã e procurar a mãe.

Mycroft, que detém a guarda de Enola, reprova o modo que a garota foi criada pela mãe, e decide que irá colocá-la na escola de etiqueta para mulheres da Senhorita Harrison (Fiona Shaw). Mas a jovem heroína resolve fugir de seus irmãos e, no meio do caminho, se depara com um nobre desaparecido que está envolvido em uma misteriosa trama política.

Enola Holmes é um filme gostoso de assistir. Millie Bobby Brown, mundialmente conhecida graças à Eleven de Stranger Things, é quem manda no filme. A atriz de 16 anos entrega um imenso carisma para sua nova personagem, que narra o longa e conversa com o público. A quebra da quarta parede é um recurso de roteiro que se tornou bastante popular nos últimos anos, muito graças a Deadpool, mas Enola Holmes está mais para Fleabag – uma espetacular série de comédia que teve alguns episódios dirigidos por Harry Bradbeer, que também comanda o filme. A garota é sarcástica, pergunta ao público se pensamos em alguma solução para determinada situação, e sabe como segurar uma história. Tanto Bradbeer quanto Brown foram escolhas certeiras para o filme.

Crítica de Enola Holmes, da Netflix

É preciso destacar também a parte técnica de Enola Holmes. O longa teve um roteiro muito bem escrito, tanto em sua história quanto nos diálogos. Além disso, o filme conta com uma trilha sonora composta por Daniel Pemberton (Homem-Aranha no Aranhaverso), que dá o tom divertido e aventureiro do longa, mas sem deixar de lado a classe que a Inglaterra do século XIX exige. E, claro, não dá pra deixar de fora o figurino. O tempo todo, Enola precisa se disfarçar, e suas vestimentas estão sempre se destacando de acordo com o que a situação precisa. 

Outro mérito de Enola Holmes é saber falar de política sem soar maçante (alô, prequels de Star Wars). Os personagens possuem seus próprios interesses, e quase sempre estão envolvidos com política. Além disso, o filme usa como pano de fundo uma polêmica lei do Reino Unido nos anos 1880: a Lei de Representação do Povo da Grã-Bretanha, que tirava a exclusividade do voto da nobreza e permitia que a população também o fizesse. Em determinado momento, Sherlock é questionado porque ele não se interessa por política, e a resposta vem logo em seguida: ele, como um importante homem branco, nunca precisou se preocupar com direitos que não lhe eram concedidos, pois ele já tinha todos os direitos.

Um ponto negativo de Enola Holmes, entretanto, é o fato de a garota estar envolvida em dois casos, mas um deles não se resolve de imediato. Algo corriqueiro nos filmes mais recentes da Netflix é que eles são feitos já pensando na continuação. Algumas coisas não serão resolvidas em Enola Holmes, mas quem sabe em um segundo filme? Afinal, esse longa tem tudo para ser um sucesso! Porém, é um pouco frustrante ter que esperar alguns anos para saber porque aquilo aconteceu daquele jeito.

Feliz e surpreendentemente, Enola Holmes é um entretenimento bastante divertido. É um filme alegre, visualmente bonito e cheio do carisma de Millie Bobby Brown. Ela, que tem sido desde 2015 uma estrela da Netflix, agora vai se tornar ainda mais conhecida e com uma personagem cujo nome é facilmente memorizado, afinal, todos conhecem o sobrenome Holmes. Se esse filme fizer tanto sucesso quanto Stranger Things fez, podemos esperar que a atriz se torne dona de sua própria franquia. Dona porque, aos 16 anos, ela já é produtora de um filme de alto orçamento. Millie Bobby Brown é como a própria Enola Holmes: uma jovem mulher que se sobressai em um mundo ainda dominado por homens.

Nota:


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João Vitor Hudson

João Vitor Hudson é um publicitário aos 22 anos. Ama cinema desde quando desejava as férias escolares só pra assistir todos os filmes do Cinema em Casa e da Sessão da Tarde. Ama o MCU, e confia bastante no futuro da DC nos cinemas.

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