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Tudo sobre Succession, vencedora do Emmy de Melhor Série de Drama

Tudo sobre Succession, vencedora do Emmy de Melhor Série de Drama

Depois de ter apenas cinco indicações ao Emmy Awards por sua primeira temporada, vencendo somente as categorias de Melhor Roteiro em Série Dramática e Melhor Composição de Música de Abertura, Succession surpreendeu a todos com impressionantes 18 nomeações ao Emmy deste ano – a série da HBO foi de nenhuma indicação por atuação a ter nove membros do elenco lembrados na distinção. Neste domingo, ela levou para casa a principal estatueta da noite: a de Melhor Série de Drama — além de outros cinco prêmios. Sem contar duas vitórias no Creative Arts, que prestigia categorias técnicas que não são transmitidas no evento principal. Mas do que se trata Succession?

Apesar de ser queridinha das premiações e do grande orçamento, a produção da HBO não é tão popular com o grande público, com uma média de 600 mil espectadores por episódio da segunda temporada (100 mil espectadores a mais do que no primeiro ano). O que é uma pena, uma vez que Succession é fenomenal. A série foi originalmente concebida como um roteiro – escrito por Jesse Armstrong, showrunner do seriado – de filme sobre a família Murdoch, que controla o conglomerado de mídia da Fox News. Mesmo tendo entrado na Black List, lista anual que destaca os melhores roteiros que não se tornaram filmes, o longa-metragem não viu a luz do dia e a acabou se tornando a série como a conhecemos hoje.

O piloto foi filmado em 2016 e garantiu que a emissora encomendasse uma primeira temporada com 10 episódios. Nele, acompanhamos a família Roy, dona do conglomerado de mídia Waystar Royco, que contém canais televisivos, websites, uma linha de cruzeiros, parques temáticos, estúdio de cinema e até mesmo seu próprio console de videogames. O conflito começa quando Logan Roy (Brian Cox), o temido e idoso magnata, tem um derrame hemorrágico, deixando a posição da empresa com um futuro incerto. Ele precisa de um sucessor.

Logan tem quatro filhos, mas nenhum deles é próprio para comandar uma corporação tão grande. Conor (Alan Ruck), o primogênito do primeiro casamento do pai, não se interessa pela empresa e gasta a sua fortuna com arte; Shiv (Sarah Snook) seguiu uma carreira política atuando como assessora; Roman (Kieran Culkin), apesar de ter interesse no conglomerado, é irresponsável e não gasta energia com nada. Já Kendall Roy (Jeremy Strong), o filho mais velho do segundo casamento, é o mais confiável, se interessou pelo empreendimento desde sempre e, mesmo assim, ainda não tem os instintos assassinos do pai, que comanda a Waystar Royco com mão de ferro. Kendall também tem um passado com drogas que não o torna 100% aceitável. Começa uma disputa entre os três filhos do segundo casamento para tomar o controle da empresa.

Além da família Murdoch, a série também buscou como inspiração os dramas das famílias Redstone (ViacomCBS) e Sulzberger (The New York Times Company). Muito do que é visto em Succession é inspirado no que vemos na vida real e isso torna a série tão relevante. Fake news, escândalo de encobrimento da cultura de assédio sexual de funcionárias, conglomerados de mídia tentando absorver a maior quantidade de canais o possível, perseguição política, nepotismo, jornalistas literalmente nazistas e por aí vai. Tem até mesmo mobília humana. Tudo o que é visto nela é deplorável, o que a torna tão viciante.

Todos os personagens são detestáveis. Egoístas, mimados, imaturos, corruptíveis e traidores. Succession é como uma versão mais séria de Arrested Development, com a mesma dinâmica de família disfuncional e sem esquecer da parte da comédia. E por mais impossível que pareça levando em consideração o piloto, começamos a nos afeiçoar e até torcer para alguns deles. É interessante notar como Tom Wambsgans (Matthew McFayden), marido de Shiv, é um chefe escroto e abusivo mas apenas porque ele sofre sendo o saco de pancadas da família Roy ou como o primo Greg (Nicholas Braun), que começa a série inocente e influenciável, lentamente começa a ficar esperto e jogar o seu próprio jogo dentro da empresa.

A produção executiva é de Adam McKay e Will Ferrell e o tom é bastante similar ao visto em A Grande Aposta e Vice, compartilhando até da estética documental. O humor é hilário e inteligente, mas totalmente inapropriado. A série como um todo não fez feio e segue à risca o padrão HBO de qualidade. O roteiro é afiadíssimo, as atuações do elenco inteiro são incríveis e a trilha de Nicholas Brittel, compositor de Moonlight e Se a Rua Beale Falasse, é magnífica.

Succession demora alguns episódios para engatar, mas quando finalmente isso acontece, na metade da primeira temporada, ela se torna viciante. A série é ácida, cheia de intrigas, traições e surpresas. Uma das melhores produções da HBO atualmente e mereceu cada vitória no Emmy. Assista!


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Estudante de jornalismo, tem 21 anos e é assistidor de séries semi profissional. Viciado em cinema desde sempre, nunca trabalhou na área e pretende mudar isso algum dia. Fã do Studio Ghibli, slashers e musicais, adora cinema sul-coreano e nas suas formas de vingança.

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