Sala Crítica
Críticas Destaque Filmes Netflix TV e streaming

O Dilema das Redes | Crítica

O Dilema das Redes | Crítica

O Dilema das Redes (The Social Dilemma)

Ano: 2020

Direção: Jeff Orlowski

Roteiro: Jeff Orlowski, Vickie Curtis, Davis Coombe

Elenco: Skyler Gisondo, Vicent Kartheiser, Kara Hayward, Sophia Hammons, Tristan Harris, Shoshana Zuboff, Renee DiResta, Aza Raskin, Chris Grundy, Barbara Gehring

A discussão sobre a venda de dados, manipulação e demais controvérsias que circundam as redes sociais não é algo recente. No entanto, ainda pode ser considerado um assunto que beira o mainstream e não atinge o grande público como deveria, uma vez que se trata de uma problemática que afeta praticamente qualquer um com acesso à internet – ou nem mesmo isso, se levarmos em conta os escândalos das eleições brasileira e estadunidense. O Dilema das Redes, novo documentário da Netflix, dirigido por Jeff Orlowski, faz um evidente esforço para trazer mais pessoas à mesa para debater o tema.

O também diretor do premiado documentário Perseguindo o Gelo (2012) tem técnicas narrativas um pouco apelativas para revelar seu ponto de vista, para não dizer repetitivas, enfadonhas e cheias de frases de efeito desnecessárias. É irônico que, um problema tão sério, tão atual e com desdobramentos tão nebulosos e irrefutáveis possa se tornar infantilizado na tentativa de fazer mais pessoas prestarem atenção nele.

E isso não ocorre pela falta de bons argumentos ou bons personagens: Orlowski traz autoridades no assunto – de pesquisadores da área a antigos funcionários e desenvolvedores de empresas como Google, Facebook, Twitter ou Instagram – e todos com argumentos muito contundentes. Porém, a vontade de fazer um filme dinâmico e com referências visuais explícitas para que se tornasse mais palatável ao público mais jovem prejudicou um pouco seus próprios testemunhos e justificativas.

Essas referências visuais são as simulações com atores colocadas no meio do enredo para mostrar como as redes sociais prejudicam as nossas vidas. Na história fictícia criada por Orlowski, acompanhamos a história de uma família com três filhos, dois viciados em redes sociais e uma jovem ‘iluminada’ que tenta, junto à mãe, colocar juízo na cabeça dos irmãos mais novos. Com diálogos e cenas bastante forçadas, a situação já estava completamente caricata… E daí são inseridos na narrativa personagens que representam o algoritmo do Facebook tentando fisgar a atenção do garoto da família em um laboratório futurista.

É compreensível que tal didática é necessária para introduzir os leigos em um assunto pouco palpável, mas como consequência temos um documentário com muito potencial, com uma temática muito profunda e absurdamente raso. Embora O Dilema das Redes tenha doutores e pessoas que ajudaram a desenvolver os principais mecanismos que atuam por trás das redes sociais em sua carta de entrevistas, o documentário trata suas falas apenas como frases de efeito, sem buscar contexto e dados que suportem elas. Um documentário é uma combinação de jornalismo e cinema – e jornalismo, afinal, precisa de fontes.

Mesmo que o documentário de Orlowski tenha desperdiçado a oportunidade de um discurso mais significativo com os especialistas que tinha à disposição, ele serve para apresentar às pessoas um assunto que já deveria estar sendo discutido com mais afinco. O debate sobre a falta de limites no número de dados que essas empresas coletam de seus usuários e como eles são usados – o chamado Capitalismo da Vigilância – é um assunto denso e com cada vez mais estudos saindo a respeito. O filme da Netflix é um ótimo recurso para introduzir as pessoas no contexto sobre como funcionam as redes sociais e porque o uso delas deveria ser, no mínimo, mais controlado.

Nota:


Quer ficar por dentro de todas as novidades sobre filmes e séries? Siga a gente no Instagram!

The following two tabs change content below.
Jornalista que migrou para a veterinária, mas sem deixar para trás as jornalices. Vive e respira horror, seja em quadrinhos, filmes, séries ou livros. Último posto de defesa da DC Comics em relação à Marvel, embora tenha que fazer vista grossa quando o papo é cinema. Fã de Heavy Metal, games single player e cospobre de carteirinha quando sobra dinheiro no final do mês.

Latest posts by Paola Rebelo (see all)

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *