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Esqueça Crepúsculo: conheça ótimas atuações de Robert Pattinson

Esqueça Crepúsculo: conheça ótimas atuações de Robert Pattinson

Depois de ter o bruxo Cedrico Diggory como seu primeiro papel relevante, em Harry Potter e o Cálice de Fogo, Robert Pattinson logo caiu nas graças do público adolescente interpretando o vampiro Edward Cullen na detestada Saga Crepúsculo. Enquanto a qualidade desses filmes é um debate longo, um fato é que a carreira do ator é interessantíssima e não recebe crédito o suficiente.

Quando confirmado como o novo Bruce Wayne/Batman, metade da recepção foi contrária porque parte do público ainda o associava com Edward Cullen. Apesar de ser um ator talentoso e versátil, os melhores papéis de Pattinson são em produções independentes que acabam passando batidas. Confira nove grandes atuações do ator:


  • Tyler Keats Hawkins – Lembranças (2010), por Luna Rocha

Lembranças foi o primeiro filme estrelado por Robert Pattinson após o lançamento de Lua Nova. O longa trouxe o ator em um papel dramático com um pano de fundo muito mais realista que os problemas fictícios do vampiro adolescente, mostrando que Pattinson consegue rapidamente se desvincular de um estereótipo de atuação para embarcar em um estilo novo. Na produção, ele interpreta Tyler, um jovem que tem uma relação extremamente conturbada com seu pai desde o suicídio de seu irmão e, por conta disso, sofre com uma depressão muito forte a ponto de não enxergar mais beleza alguma na vida, até conhecer Ally (Emilie de Ravin), que aos poucos vai mudando sua perspectiva de futuro. Esse é um filme que discorre sobre um determinado enredo, mas que no final você percebe que era outra história paralela que ele estava querendo contar, o que acaba sendo um plot twist interessante.


  • Eric Packer – Cosmópolis (2012), por Gabryel Nunes

O filme do diretor canadense David Cronenberg é um convite ao pensamento crítico de diversos aspectos, a começar pela crise econômica que assola o mundo há alguns anos, mas com grande enfoque no vazio existencial do protagonista, influenciado pela tecnologia onipresente que é incapaz de evitar colapsos.  No centro dessa miríade de análises e críticas ácidas está um jovem Robert Pattinson, que dá vida ao protagonista Eric Packer, um jovem milionário que resolve cruzar a cidade em sua limusine para ir cortar o cabelo e acaba perdendo sua fortuna no caminho. O longa é complexo e filosófico demais para ser resumido em poucas linhas, e vale a pena ser assistido, ainda mais por aqueles que ainda vinculam Pattinson a Edward Cullen. Se há algo que o ator prova em Cosmópolis é seu talento, muito por sua capacidade de explorar seu espectro emocional e entregar uma belíssima performance, ainda mais em um filme tão simbólico quanto este.


  • Reynolds – The Rover – A Caçada(2014), por João Vitor Hudson

A ficção científica de mundo pós-apocalíptico do diretor australiano David Michôd, que também trabalhou com Pattinson em O Rei, é estrelada por Guy Pearce. A história é uma espécie de Mad Max, se passando em um futuro próximo onde existem poucos recursos e a população encontrou a resposta em muita criminalidade. Eric (Pearce) já perdeu quase tudo o que tinha, menos o seu carro. Quando ele é roubado por um gangue perigosa, Eric tenta recuperar seu último bem, mas precisa levar junto Reynolds (Pattinson), um membro da mesma gangue que foi abandonado por seus colegas. Pattinson impressiona como Reynolds, um personagem cheio de trejeitos que foi um dos grandes sinalizadores pós-Crepúsculo de que o ator era bastante talentoso.


  • Constantine Nikas – Bom Comportamento (2017), por João Vitor Hudson

Trailer de Good Time, elogiado filme de Robert Pattinson

Sabe aqueles filmes que são uma joia escondida? Bom Comportamento é um desses. O thriller dirigido pelos irmãos BennyJosh Safdie, além de entregar uma das melhores atuações da carreira de Robert Pattinson, possui uma história tão absurda que chega a ser surreal. O ator vive Constantine Nikas, um homem que, junto com seu irmão, Nick (Benny Safdie) tentou assaltar um banco, mas quando tudo começou a dar errado e o irmão acabou preso, ele se sentiu obrigado a fazer coisas completamente imorais para livrar o irmão da cadeia. Constantine se vê então em uma corrida contra o tempo em que rouba um paciente de um hospital, se envolve com uma menor de idade, e acaba roubando solução de LSD de alguns traficantes. Isso sem falar em uma descoloração de seu cabelo feita às pressas. Pattinson está um monstro em Bom Comportamento, lembrando a todos que aquele ator de nível Malhação da Saga Crepúsculo não existe mais.


  • Henry Costin – Z: A Cidade Perdida (2017) por Diego Francisco

Baseado em uma interessantíssima história real, o longa segue a jornada do explorador britânico Percy Fawcett (Charlie Hunnam), que dedicou a sua vida para encontrar uma cidade feita de ouro na Amazônia. O filme se passa ao longo de décadas em diferentes tentativas do Fawcett de superar todas as adversidades que as explorações da época conhecida para provar a todos que duvidaram dele estavam errados. Pattinson interpreta o Cabo Henry Costin, soldado com grande conhecimento na Floresta Amazônica que logo se torna um fiel companheiro de Fawcett em uma atuação introspectiva mas muito convincente. Apesar do ritmo ser lento, a obra do ótimo James Gray é excelente e merece ser vista.


  • Monte – High Life (2018), por Diego Francisco

Dirigido por Claire Denis, High Life é, sem dúvidas, um dos filmes mais estranhos desta lista. O enredo acompanha uma nave de prisioneiros indo em direção a um buraco negro enquanto uma doutora (Juliette Binoche) realiza testes neles. Pattinson vive Monte, um prisioneiro que cuida filha tentando sobreviver da morte certa. A ficção científica é sombria e desconcertante, abordando temas como abuso sistêmico de prisioneiros, estupro e a individualização do ser humano em condições desesperadoras – afinal, é mais fácil ser cada um por si do que se ajudar. A performance de Pattinson é melancólica e tocante, principalmente por se ferrar o filme inteiro.


  • Louis – O Rei (2019), por Luna Rocha

No filme O Rei, lançado pela Netflix em 2019, Robert Pattinson interpreta o delfim francês Louis, que no longa representa a presença de seu pai, o Rei Charles VI, na Batalha de Azincourt contra Henry V e o exército da Inglaterra. Como sempre, o ator acaba sendo questionado quanto às suas habilidades, alguns espectadores podem encarar a performance de Pattinson como exagerada, mas essa questão tem um pano de fundo por trás, pois a realidade é que o seu personagem aparentemente incorporou o histórico de negligência familiar da vida do Rei Charles VI, que acarretou em uma educação lamentável e problemas mentais posteriores, a ponto de ser apelidado como ‘Rei Louco’. Se essa mescla de personalidades for levada em consideração, o desempenho de Pattinson no papel é de certa forma acurado e não remete a outros personagens que tenha exercido até então, mostrando que o ator tem potencial para incorporar características diferentes, sem soar como se fosse sempre uma mesma pessoa.


  • Ephraim Winslow – O Farol (2019), por Paola Rebelo

Após o sucesso de A Bruxa (2015), os fãs de horror viraram rapidamente seus olhos para um novo diretor em ascensão. O Farol, o segundo filme de Robert Eggers, era um dos longas mais aguardados do gênero em 2019, especialmente por trazer dois grandes nomes no elenco, Willem Dafoe e Robert Pattinson. Na história, Thomas Wake (Dafoe) é um faroleiro experiente e ex-marinheiro, que cuida de um farol muito distante do continente e de difícil acesso. Para substituir seu antigo assistente, o jovem Ephraim Winslow (Pattinson) é contratado, um jovem recluso, sem experiência no trabalho e com um passado misterioso. A dupla de atores ocupa a tela por praticamente todo o filme, e suas atuações chamaram muito a atenção e conquistaram prêmios de atuação no Independent Spirit Awards, London Film Critics’ Award, Sattelite Awards e Seattle Film Critics Society.


  • Preston Teagardin – O Diabo de Cada Dia (2020), por Carlos Redel

Um dos filmes mais interessantes de 2020 também conta com uma das melhores performances de Robert Pattinson. Em O Diabo de Cada Dia, da Netflix, o ator dá vida ao pastor Preston Teagardin que, ao chegar para comandar uma pequena igreja em Cold Creek, no interior de Ohio, percebe o tamanho da fé dos cidadãos locais e, com isso, decide tirar proveito deles — principalmente, das jovens. O seu personagem é inescrupuloso, sombrio e está sempre com um ar de deboche, transparecendo a sua superioridade perante os fiéis. E o desempenho de Pattinson impressiona, pois consegue construir Teagardin magistralmente, gerando desconforto ao espectador toda vez que ele está em cena, por conta de sua imprevisibilidade. Além disso, o astro, que é britânico, lhe deu uma voz aguda e um sotaque sulista carregado — este ponto de sua atuação, inclusive, foi construído inteiramente pelo ator, sem ajuda de profissionais de dialeto, o que surpreendeu aos colegas de equipe por conta do primoroso resultado. Cada vez mais, Pattinson reforça que é um dos melhores atores de sua geração. E a raiva que temos de Teagardin só exemplifica isso.


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Estudante de jornalismo, tem 21 anos e é assistidor de séries semi profissional. Viciado em cinema desde sempre, nunca trabalhou na área e pretende mudar isso algum dia. Fã do Studio Ghibli, slashers e musicais, adora cinema sul-coreano e nas suas formas de vingança.

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