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O Fascínio | Crítica

O Fascínio | Crítica

Crítica de O Fascínio, terror da NetflixO Fascínio (Il Legame)

Ano: 2020

Direção: Domenico Emanuele de Feudis

Roteiro: Daniele Cosci, Davide Orsini, Domenico Emanuele de Feudis

Elenco: Riccardo Scamarcio, Mia Maestro, Giulia Patrignani, Mariella Lo Sardo, Federica Rosellini, Raffaella D’Avella, Sebastiano Filocamo

O sul da Itália é uma região rica em paisagens, com uma certa mística em sua beleza, carregada de mitos e lendas, que são contados há cestas de anos. Não é incomum encontrarmos filmes de terror situados em locais semelhantes de onde se passa O Fascínio, como O Ritual, estrelado por Anthony Hopkins. O longa Original Netflix estreia no Mês das Bruxas, período em que muitos títulos chegam aos streamings.

Uma produção italiana, com uma pegada mais intimista chama a atenção do fã do gênero, ainda mais com uma premissa interessante. O Fascínio inicia sua história apresentando Francesco (Riccardo Scamarcio), um homem que leva a sua namorada, Emma (Mia Maestro), e Sofia (Giulia Patrignani), filha da sua parceira, para conhecer sua mãe (Mariella Lo Sardo), em um pequeno povoado do sul da Itália. Logo de cara, a situação não parece nada natural, com uma casa antiga, gemidos, gritos, atividades suspeitas e pessoas fechadas e não muito simpáticas.

O início do longa é promissor, com uma bela ambientação, contando com uma direção de fotografia excelente, com um tom alaranjado, deixando o espectador confortável, mas, ao mesmo tempo, tenso com os acontecimentos futuros. O diretor Domenico Emanuele de Feudis faz um bom trabalho, principalmente no primeiro ato, com takes priorizando o próprio ambiente repleto de natureza. Ele consegue fazer com que fiquemos desconfortáveis nesse início, dando a impressão de que há algo muito errado com aquele lugar. Porém, com o passar dos minutos, esse sentimento propício para uma produção do gênero vai perdendo força, com sequências de momentos desinteressantes, personagens que estavam sendo desenvolvidos acabam decepcionando e diversas cenas requentadas de outros longas são apenas jogadas em tela.

O diretor, que também é roteirista, ao lado de Daniele Cosci e Davide Orsini, mostra que A Bruxa de Blair é uma das maiores referências para o filme, mas acaba deixando isso óbvio e até imitando alguns momentos, o que pode desconcentrar o espectador atento. Os incontáveis clichês do gênero são facilmente identificáveis. contribuindo muito para a queda drástica, tendo um segundo ato mediano e um terceiro desastroso.

As atuações de Mia Maestro e Mariella Lo Sardo são sólidas, mesmo que a personagem desta última tenha sido escrita de uma forma no início que uma mudança drástica, mesmo por conta de acontecimentos terríveis, acaba não sendo verossímil. Já Riccardo Scamarcio não vai bem quando é necessário demonstrar emoções e o seu personagem mal escrito acaba não sendo nem um pouco atraente, fazendo com que não tenhamos uma simpatia por ele.

Caso os personagens fossem mais interessantes e tivessem mais química, nos preocuparíamos com os acontecimentos que os envolvem, o que não é o caso. Um dos principais pontos fracos de O Fascínio fica por conta do longa ter uma proposta clara dentro do gênero, de assustar o espectador e não entrega isso em praticamente nenhum momento, nem com cenas explícitas e muito menos com suspense. Após o seu términi, é difícil pensar sobre o que aconteceu, por não nos importarmos com nada daquilo. O péssimo desfecho deixa um sabor amargo no espectador que pôde se empolgar com um início promissor, mas esbarrou em uma trama desinteressante e que foi piorando com o passar do tempo.

O Fascínio chega na Netflix para não ficar na memória de ninguém, apenas preenchendo uma cota de filmes de terror no mês de outubro. Não dá para dizer nem que se trata de um divertimento rápido e que nos esquecemos facilmente, mas, sim, de só mais uma produção de nível mediano, que não acrescenta nada e também não serve como um passa tempo. A Itália contribui com sua beleza e com as diversas místicas que rodeiam a região, mas não chega nem perto de salvar a mediocridade apresentada por De Feudis. Mesmo quando descobrimos que a história é baseada em fatos, fica difícil de nos importarmos ou nos impactarmos, pois a produção precisa fazer com que tenhamos esses sentimentos durante os seus 93 minutos de duração.

Nota:



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Jornalista, pretende seguir carreira como crítico de cinema. Gosta de dar opinião sobre tudo. Reside em Belém Novo, fim do mundo de Porto Alegre.

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