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O Halloween do Hubie | Crítica

O Halloween do Hubie | Crítica

Crítica de O Halloween do Hubie, da NetflixO Halloween do Hubie (Hubie Halloween)

Ano: 2020

Direção: Steven Brill

Roteiro: Tim HerlihyAdam Sandler

Elenco: Adam Sandler, Kevin James, Julie Bowen, Ray Liotta, Steve Buscemi, Maya Rudolph, Noah Schnapp, Kenan Thompson, Michael Chiklis, Shaquille O’Neal, Rob Schneider, Ben Stiller

Toda vez que um novo filme da parceria entre Adam Sandler e a Netflix é anunciado, a desconfiança toma conta. Afinal, até agora, de todas as seis comédias lançadas oriundas deste contrato, todas são de medianas para ruim – nesta última opção, a maioria se encaixa. Mesmo assim, o astro é um fenômeno no serviço de streaming, rendendo muitos e muitos views. Vale lembrar que os ótimos dramas Joias Brutas e Os Meyerowitz: Família Não Se Escolhe foram apenas comprados pela plataforma, não sendo originais da mesma.

O mais novo produto desta parceria rentável para a Netflix e, claro, para o Adam Sandler é O Halloween do Hubie, produção feita especialmente para o mês de outubro, que é quando se comemora o Dia das Bruxas nos Estados Unidos. Na nova “comédia” (assim mesmo, entre aspas), o ator dá vida ao personagem-título, o seu típico bobalhão infantilizado, mas de bom coração. Tanto é que Hubie trabalha como uma espécie de fiscal voluntário do Halloween, querendo proteger os cidadãos de sua cidade, Salém, mesmo que todos o humilhem diariamente.

Tirando a mãe do personagem de Sandler, o seu interesse amoroso e os filhos dela, todos os habitantes de Salém o odeiam. E isso é mostrado da maneira mais cruel possível, uma vez que, nitidamente, Hubie sofre de um atraso cognitivo. Então, quando as trapalhadas do protagonista e os abusos que ele sofre pelos seus conterrâneos começam, fica difícil conseguir achar qualquer tipo de graça. Inclusive, os habitantes da cidade passam o filme inteiro arremessando objetos em Hubie, buscando o ferir também fisicamente, além das agressões psicológicas.

O roteiro escrito por Tim Herlihy e por Sandler, responsáveis por fazer o tenebroso Os 6 Ridículos – sério que acharam que algo minimamente engraçado sairia desta parceria? – demonstra que a dupla ainda vive nos anos 1980, mas, ao invés de conseguir transportar a nostalgia da época, consegue apenas pinçar o que já não funcionava naquela época e colocar nos filmes de hoje. A trama deve ter sido descrita em meia página e, em cima disso, foi produzido um filme de 1h42 – ou seja, são enxertados diversos momentos sem graça e sem sentido para preencher a duração do longa, sempre trazendo mais e mais constrangimento para o espectador.

Crítica de O Halloween do Hubie, da Netflix

É uma pena que a história não faça sentido e não tenha a menor graça, pois o elenco reunido para O Halloween do Hubie poderia ter rendido um longa, pelo menos, razoável. Temos, no filme, nomes como Julie Bowen, Ray Liotta, Steve Buscemi, Maya Rudolph, Noah Schnapp, Kenan Thompson e Michael Chiklis, com participações especiais de Shaquille O’Neal e Ben Stiller. Além de, é claro, a trinca carimbada Sandler, Kevin James e Rob Schneider. Havia potencial, mas foi completamente desperdiçado em um filme que, na maior parte do tempo, causa apenas vergonha alheia. Pelo menos, aparentemente, todos se divertiram nas gravações.

E é mais lamentável ver toda essa bagunça em uma produção que foi feita com esmero, rica em detalhes e visualmente interessante, conseguindo transportar com louvor o espectador para o clima de Halloween em Salém, que acaba se tornando um personagem do filme – e um dos melhores, apesar disso não ser muito difícil. Tinha dinheiro. Tinha elenco. Mas não tinha talento dos realizadores. Claro que vão surgir aqueles que vão defender o filme, alegando que ele foi feito para as crianças, mas venho dizer que: não. Em um determinado momento, por exemplo, um dos personagens chupa o dedo de sua fantasia, de maneira sexualizada, para tentar excitar a sua esposa – e não é um momento isolado.

Assim sendo, O Halloween do Hubie não serve para o público infantil – pelo menos, não é adequado para tal – e, provavelmente, não agradará aos adultos que não tenham um senso de humor bem específico. Os momentos que, provavelmente, deveriam ser engraçados no longa foram tirados das Vídeo Cassetadas do Faustão, sem esquecer das piadas com peido, é claro. Nem cabe comentar sobre o desfecho do longa, com um plot twist bizarro e uma das mensagens mais clichês já apresentadas nos filmes de Sandler. Lembra quando o ator prometeu que faria um longa muito ruim caso não fosse indicado ao Oscar por sua performance em Joias Brutas? Pois é, ele cumpriu. Pode acusar o astro de não ter graça, mas ninguém pode dizer que ele não tem palavra.

Nota:



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Jornalista e radialista, é um dos fundadores do Bode na Sala. Se orgulha de ter nascido em São Borja, no interior do Rio Grande do Sul, e, atualmente, mora em Porto Alegre. Trabalhou em todas as áreas que se pode imaginar, mas acabou caindo no submundo geek. É fã do Jim Carrey, acha que o Ben Affleck é o melhor Batman do cinema, não suporta pseudo-cultismo e pretende dominar o mundo.

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