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Mau-Olhado | Crítica

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Crítica de Evil Eye, do Amazon Prime VideoMau-Olhado (Evil Eye)

Ano: 2020

Direção: Elan Dassani, Rajeev Dassani

Roteiro: Madhuri Shekar

Elenco: Sarita Choudhury, Sunita Mani, Omar Maskati, Bernard White

Evil Eye – ou Mau-Olhado, como foi chamado no Brasil – é uma das estreias exclusivas da Blumhouse (especializada em filmes de terror) na plataforma de streaming do Amazon Prime. A princípio, o filme parece um romance dramático que conta a história da jovem Pallavi (Sunita Mani), uma moça de origem indiana que vive nos Estados Unidos e cuja mãe, Usha (Sarita Choudhury), insiste em lhe agendar encontros às cegas para que ela possa arranjar um casamento, como é de costume nas tradições familiares da Índia.

Aos poucos passamos a descobrir o quanto Usha é obcecada a respeito do destino matrimonial da filha e com sua sorte na vida, pois quando estava grávida de Pallavi, ela viveu uma situação de abuso e passou a acreditar que o bebê havia sido amaldiçoado por seu agressor antes mesmo de nascer. Com isso, Usha envia diversos amuletos contra mau-olhado para a jovem, saindo daí a superstição que dá título ao longa.

Por conta própria, Pallavi acaba conhecendo Sandeep (Omar Maskati), um homem indiano de família rica – e se apaixona por ele. Porém, ao comunicar os pais sobre o novo relacionamento, sua mãe fica extremamente paranoica e busca aconselhamento de astrólogos para saber se o mapa astral do casal realmente bate, ao que lhe é informado que não haveria par mais perfeito para a garota. No entanto, Usha segue obstinada no seu instinto de que há algo errado com o rapaz, o que acaba aparentando como se, ao ver a filha finalmente engatando em um noivado, ela sentisse medo de perder a dependência que Pallavi ainda tinha pelos pais, e quisesse manter ela só para si, o que soa totalmente contraditório com seus desejos anteriores de ver a moça casada.

A interação entre o casal é saudável e carinhosa, o pai de Pallavi, que aparenta ser um homem de cabeça bem moderna e indiferente aos preceitos indianos de casamento, aprova a relação dos pombinhos durante uma chamada telefônica, mas ao passar o celular para que sua esposa finalmente conheça e converse com Sandeep, esta surta, insistindo que por conta de uma frase que ele comentou, que o homem é uma reencarnação de seu ex-namorado que a violentara. A partir desse momento, o enredo todo nos leva a pensar que Usha está ficando louca e você passa a se questionar até mesmo se o filme se trata mesmo de um thriller, porque ele repercute muito mais como um suspense psicológico do que como um terror de fato, e o roteiro parece dar foco na obsessão de uma mãe em querer controlar as escolhas e futuro de sua única herdeira.

As atuações são boas, entretanto, a história se revela e passa a se resolver quando está faltando apenas 24 minutos para o encerramento de Evil Eye e, ainda que ela venha a se sustentar com um final sobrenatural previsível, o longa não te leva a ter surpresas, sustos ou a se aterrorizar com os acontecimentos. Você tinha duas opções durante o andamento do enredo e sempre soube disso, então quando descobre qual delas é a verdadeira conclusão, não há plot twist, apenas uma confirmação óbvia e uma saída pobre. Em uma de suas últimas cenas, fica perceptível que a sobrenaturalidade que nos é apresentada é tida como uma metáfora para ensinar as vítimas de relacionamentos abusivos que elas não devem se culpabilizar por terem entrado em uma furada ocasionada por cônjuges mal intencionados. Entretanto, até mesmo essa lição de moral soa sem fundamento no instante em que Usha conforta Pallavi, pois, tecnicamente, sua filha não esteve um único dia em situação de abuso até que se desenrolou o mistério durante uma só noite.

Para finalizar, precisava mesmo a última cena que prevê a repetição de um carma para uma família que nunca fez nada para evocá-lo? Fica aqui a reflexão sobre essa obra de argumentos fracos e desestruturados.

Nota:


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Designer de moda e redatora gaúcha, vivendo em São Paulo. Interessada por arte e cultura pop em suas mais diversas áreas. Por ser uma romancista entusiasta, curte assistir adaptações literárias para o cinema, e pela ligação acadêmica com figurino, longas de época ocupam o topo da sua lista de filmes favoritos. Além disso, possui o super poder de guardar com facilidade nomes de artistas e apontar suas participações em produções.

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