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Rebecca – A Mulher Inesquecível | Crítica

Rebecca – A Mulher Inesquecível | Crítica

Crítica de Rebecca - A Mulher Inesquecível, remake da Netflix

Rebecca – A Mulher Inesquecível (Rebecca)

Ano: 2020

Direção: Ben Wheatley

Roteiro: Jane Goldman, Joe Shrapnel, Anna Waterhouse

Elenco: Lily James, Armie Hammer, Kristin Scott Thomas, Tom Goodman-Hill, Keeley Hawes, Sam Riley, Ann Dowd, Ben Crompton, Mark Lewis Jones, Jane Lapotaire

Não é surpresa para ninguém que remakes sejam, na maioria das vezes, uma péssima ideia. Todos nós temos um filme favorito que teve uma refilmagem que acabou não fazendo jus ao original. Existem as exceções à regra de longas que conseguem não apenas respeitar o original como fazer algo próprio para justificar a sua existência como Os Infiltrados, A Mosca, O Enigma de Outro Mundo e Suspiria. Rebecca – A Mulher Inesquecível tenta ser diferente da produção de 1940, mas não acerta tanto assim em sua abordagem.

Lançado há 80 anos, o thiller romântico de Alfred Hitchcock baseado no livro homônimo de Daphne du Maurier (que é bastante similar a um livro brasileiro publicado quatro anos antes) foi a sua única produção a ganhar o Oscar de Melhor Filme e mesmo que o aclamado diretor tenha outros títulos mais icônicos, o seu Rebecca também é excelente. Todos sabem que é uma péssima ideia refazer uma obra de Hitchcock, como o Psicose de 1998 provou. Mas como o livro que o inspirou tem diversas outras adaptações, parecia ser uma aposta segura – que mesmo assim deu errado.

Esta versão começa como todas as outras. A protagonista (Lily James) é uma jovem tímida e desajeitada que trabalha como dama de companhia da esnobe senhora Van Hopper (Ann Dowd). Durante um período de férias em Monte Carlo, ela conhece o rico e viúvo Maxim de Winter (Armie Hammer), os dois se apaixonam instantaneamente e vivem um curto período de felicidade até a garota precisar voltar para Nova York por causa do emprego. Maxim a pede em casamento para que eles possam ficar juntos.

A união que antes parecia ser perfeita – com exceções dos famosos ataques de raiva do marido – fica seriamente ameaçada quando o casal chega a Manderly, a luxuosa mansão da família de Winter. Por ter uma origem simples, a nova senhora de Winter não tem a menor experiência com lidar com tantos afazeres e tantos criados, mas isto sequer é o pior. Ela não consegue sair da sombra de Rebecca, a ex-mulher de seu marido, cujas circunstâncias da morte ainda são incertas. A falecida era querida por todos, lindíssima, refinada, educada e uma pessoa marcante. Todos amavam Rebecca. Todos ainda a amam.

Enquanto o filme de 1940 se aproveitava da estética preto e branco para envolver o espectador, este remake não conseguiria ser mais colorido. O design de produção, o figurino e as locações são extravagantes e grandiosas em sua apresentação, o que nos deslumbra e impressiona assim como surte o mesmo efeito na protagonista, que é nova ao mundo de riqueza e elegância de Manderly. Em outra tentativa de se distanciar do original (e até mesmo do livro nesse quesito), o longa de Ben Wheatley aposta em visões e pesadelos para conferir uma atmosfera quase que sobrenatural a grandiosa mansão e a presença do fantasma de Rebecca.

E no que diz respeito ao elenco, a escalação foi equivocada. Enquanto o casal no livro tinha 20 anos de diferença e dez no primeiro filme, eles têm quase a mesma idade aqui, o que tira um pouco da proposta de ter um homem mais velho seduzindo uma jovem influenciável. E Armie Hammer, infelizmente, não consegue conferir carisma algum ao seu Maxim de Winter, cujo romance com a protagonista nunca chega a convencer de fato mesmo quando ele está sendo o melhor marido do mundo. E Lily James, por melhor atriz que seja, pouco pode usar da sua afeição contagiante uma vez que esta versão decidiu ser mais séria e com pouco humor. A atriz convence nos momentos mais dramáticos mas a química que ela deveria ter com o Hammer simplesmente não está lá.

A melhor atuação do longa, sem qualquer dúvida, é de Kristin Scott Thomas como a senhora Danvers, a implacável governanta da mansão que conduz a todos com uma mão de ferro e ainda é terrivelmente devota a imagem de Rebecca, a quem era mais próxima. A atriz está impecável em toda cena e tem a personagem mais complexa da produção. Por fim, Ann Dowd brilha como a senhora Van Hopper, mesmo que sua participação esteja resumida apenas ao começo da projeção.

O roteiro, escrito pela ótima Jane Goldman de Kick-Ass, X-Men: Primeira Classe e Kingsman, sofre não só por nunca convencer totalmente em seu romance, que é o ponto central da trama, mas também por desmoronar no terceiro ato. Enquanto era uma adaptação eficiente até então, ela falha ao retratar os pontos mais críticos. A cena em que é revelada a verdade sobre a noite em que Rebecca morreu se estende por fascinantes 13 minutos no original enquanto aqui ela dura apenas corridos cinco minutos e não chega nem próximo de ter o mesmo impacto. E também as implicações desta verdade tentam ser maiores em escala, mas falha ao não conseguir reproduzir o charme e a satisfação da execução do filme de 1940. E não existe explicação lógica para que uma das cenas mais icônicas do original seja cortada – quando a protagonista finalmente confronta a imagem da falecida esposa e assume seu lugar como nova senhora de Manderly. Por quê?

Assim como a personagem principal que luta para sair da sombra de sua antecessora, esta nova versão de Rebecca faz o que pode para justificar a sua existência, mas não consegue. O que o filme traz de novo não empolga e, no final das contas, é melhor permanecer com a linda imagem do passado mesmo.

Nota:


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Estudante de jornalismo, tem 21 anos e é assistidor de séries semi profissional. Viciado em cinema desde sempre, nunca trabalhou na área e pretende mudar isso algum dia. Fã do Studio Ghibli, slashers e musicais, adora cinema sul-coreano e nas suas formas de vingança.

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