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Manual de Caça a Monstros | Crítica

Manual de Caça a Monstros | Crítica

Crítica de Manual de Caça a Monstros, da NetflixManual de Caça a Monstros (A Babysitter’s Guide to Monster Hunting)

Ano: 2020

Direção: Rachel Talalay

Roteiro: Joe Ballarini

Elenco: Tamara Smart, Oona Laurence, Tom Felton, Troy Leigh-Anne Johnson, Lynn Masako Cheng, Ty Consiglio, Ian Ho, Indya Moore, Alessio Scalzotto, Tamsen McDonough, Ashton Arbab

E se os monstros que vivem embaixo da cama fossem reais? Em Manual de Caça a Monstros, eles são! Espreitando no escuro da noite, as criaturas do imaginário comum se escondem dentro de armários, apenas aguardando o momento em que a luz do quarto se apagará para que possam aterrorizar crianças indefesas.

A estudante Kelly Ferguson (Tamara Smart) concorda, de forma relutante, em ser babá de Jacob Zellman (Ian Ho) – filho da chefe de sua mãe – justamente na noite de Halloween, em que a festa na casa de um colega poderia mudar seu status social na escola. Sem opção, a jovem vai cumprir com o compromisso, e é surpreendida quando pequenos monstros coloridos sequestram o pequeno Jacob, a mando do temível e perigoso Grand Guignol (Tom Felton).

Após ser ignorada pela polícia, Kelly conhece Liz LeRue (Oona Laurence), badass e vice-presidente de uma sociedade secreta histórica e internacional de babás, que lutam contra os monstros da noite desde os tempos mais remotos. E unindo forças com a equipe de jovens brilhantes, Kelly parte numa aventura para resgatar Jacob e levá-lo de volta para casa a tempo de não ter problemas com a patroa de sua mãe.

A história é digna de Sessão da Tarde, mas o resultado não é ruim. O primeiro ato do filme – quando conhecemos os personagens e somos introduzidos nesse universo surreal – é fraco e vacilante. A história avança aos tropeços e as tentativas de humor não funcionam. Pesa, também, a má atuação de Tamara Smart, intérprete da protagonista, que acaba sendo o ponto baixo da obra. O elenco, de modo geral, é formado por atores e atrizes jovens (finalmente um filme em que adolescentes têm cara de adolescentes) mas inegavelmente esforçados. O roteiro não atrapalha em nada; é coeso e entrega aquilo que se espera de um filme infanto-juvenil.

Crítica de Manual de Caça a Monstros, da Netflix

O destaque positivo vai, também, para a atuação. Primeiramente, Ian Ho. O pequeno ator, guardadas as devidas proporções, é disparadamente o melhor nome no casting. Com apenas 10 anos, já recebeu duas indicações a prêmios: no Young Artist Award como Melhor Ator Coadjuvante por Um Pequeno Favor (2018) e no Young Entertainer Award como Melhor Ator Mirim Convidado com 10 Anos ou Menos por sua participação na série O Conto da Aia (2017). Uma figura para ficar de olho nos anos que virão. No filme, vemos que Ho faz por onde. Atuando de forma limpa e natural, é fácil acreditar nos sentimentos daquela criança ante os acontecimentos da trama.

O segundo destaque é, obviamente, para Tom Felton. Seu papel mais conhecido é o de Draco Malfoy nos oito filmes da saga Harry Potter, mas o ator também esteve em diversas outras produções, mostrando sua amplitude de predicados e esbanjando talento no mundo cinematográfico. Dessa vez, no papel de vilão principal, Felton vai muito bem ao entregar um personagem aterrorizante na medida certa – ainda é um filme infantil, afinal. É possível temê-lo e, ainda assim, rir quando seus planos mirabolantes falham. As melhores cenas do longa são, sem dúvida alguma, aquelas em que Tom contracena com o jovem Ian Ho.

Manual de Caça a Monstros se coloca como um filme feito para um público específico, e entrega aquilo que promete. É uma boa diversão pré-adolescente, que aborda temas como aceitação, culpa e medo de forma leve – até um pouco superficial – mas o faz de forma orgânica, sem forçar nada. Ainda que tropece na falta de talento de sua protagonista, não é de todo ruim. O filme deixa a forte impressão de que terá continuações – o que é de se esperar, visto que é uma adaptação de uma série de livros – com ameaças e objetivos tão claros quanto este primeiro capítulo. No geral, um filme mediano, com altos e baixos. Sem grandes resultados, mas também sem grandes pretensões. Poderia ter sido pior, mas é razoável.

Nota:



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Ator, escritor, diretor e roteirista, Gabryel é ruim em todas essas coisas. Crítico por natureza, adora reclamar de tudo, e é fã de filmes que ninguém tem paciência pra assistir. Carrega a convicção de que Click é um clássico cult e quem discorda é clubista.

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