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Noturno | Crítica

Noturno (Nocturne)

Ano: 2020

Direção: Zu Quirke

Roteiro: Zu Quirke

Elenco: Sydney Sweeney, Madison Iseman, Jacques Colimon, Ivan Shaw, Julie Benz

Música é uma área muito competitiva em que, como na maioria dos ramos, apenas poucos conseguem obter o sucesso e prestígio absoluto. E o cinema fez a sua parte em adaptar toda as dificuldades, desafios e intrigas de músicos iniciantes querendo ter um lugar entre os grandes em obras como Whiplash – Em Busca da Perfeição e The Perfection. Noturno, a princípio, faz o mesmo em que os títulos citados – mas com um toque de terror. Nada como uma ajudinha do demônio para tocar melhor.

Após a talentosa Moira (Ji Eun Hwang) cometer suicídio, uma vaga no concerto do internato de música se abre. Juliet (Sydney Sweeney) é uma promissora, mas tímida e insegura estudante de música. Ela sempre viveu a sombra de sua irmã gêmea, Vivian (Madison Iseman), que não apenas toca o piano melhor, mas é confiante, carismática, sociável e rouba a atenção de todos. Vivian conseguiu uma vaga na Julliard, o conservatório de música mais cultuado do país – Juliet tentou entrar, só que não obteve o mesmo sucesso.

A sorte da protagonista parece mudar quando caderno de Moira aparece em seu armário, com as anotações da falecida alternadas com desenhos demoníacos. O que poderia dar errado? Ao usar do caderno, Juliet fica mais segura e talentosa, finalmente chegando no nível que precisava para atingir as suas ambições. Mas tudo tem um preço. Ela fica arrogante, brigando com todos na sua vida e destruindo relações. A protagonista também passa a ter estranhas visões e passa a temer que as ilustrações do caderno possam ser verdadeiras.

Noturno não seria nada sem Sydney Sweeney. Enquanto sua carreira no cinema não decola, a jovem atriz tem sido um rosto cada vez mais frequente nas séries de TV com ótimas participações em Everything Sucks, The Handmaid’s Tale, Sharp Objects e Euphoria. Sweeney consegue se sobressair do material mediano que deram pra ela e consegue sustentar o longa com uma atuação muito eficiente, se saindo melhor do que qualquer outro colega do elenco.

Como filme de amadurecimento, Nortuno sabe o que está fazendo. O desenvolvimento de Juliet com o passar da narrativa é bem estabelecido, bem como os conflitos internos e externos que ela passa. É fácil ficar investido na breve uma hora e meia de duração, mesmo que não esteja acontecendo tanto na trama. As cenas de música, no entanto, nunca empolgam. Não existe aquele momento visto em filmes sobre músicos em que a performance toma conta do longa e é uma cena que se destaca. Mas este não é o maior problema do longa.

Noturno é um filme de terror e de terror tem quase nada. Não existe nenhum susto para ser tomado, tensão ou sequer atmosfera que envolva o espectador. Se trata mais de um drama com alguns elementos sobrenaturais do que um horror propriamente dito, ou sequer um suspense. Por mais que a história e a performance de Sydney Sweeney sejam o suficiente para sustentar a duração, definitivamente faltou substância na hora de criar os elementos satânicos da narrativa. Pouco sabemos como o caderno e a situação de pacto realmente funciona, já que é algo pouco explorado.

Escrito e dirigido pela estreante Zu Quirke, que só havia comandado três curtas metragens antes, a produção mostra um potencial que nunca é devidamente alcançado, mas poderia ser. O filme inteiro se baseia na The Devil’s Trill de Giuseppe Tartini e a história por trás da composição. O músico italiano sonhou com um diabo que tocou para ele, uma composição magnífica e intensa, algo que o Tartini nunca tinha ouvido em toda a sua carreira. Tentando recriar a fascinante sonata que ouviu em seu sonho, ele desenvolveu a The Devil’s Trill, apenas para admitir que a composição era tão inferior ao que ele tinha escutado do diabo.

Esta história se casa com os temas explorados pelo longa, obsessão e a busca pela perfeição. “Tocar como se o diabo estivesse na sala”, como diz um professor de música para a protagonista. E ao chegar a uma conclusão que já tinha sido estragada pela primeira cena (e remete muito a Cisne Negro), Nortuno espelha Juliet, espera ser reconhecido e, apesar de ser razoável, dificilmente será lembrado.

Nota:


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Estudante de jornalismo, tem 21 anos e é assistidor de séries semi profissional. Viciado em cinema desde sempre, nunca trabalhou na área e pretende mudar isso algum dia. Fã do Studio Ghibli, slashers e musicais, adora cinema sul-coreano e nas suas formas de vingança.

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