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A Caminho da Lua | Crítica

A Caminho da Lua | Crítica

Crítica de A Caminho da Lua, da NetflixA Caminho da Lua (Over the Moon)

Ano: 2020

Direção: Greg Keane

Roteiro: Jennifer Yee McDevittAudrey Wells

Elenco: Cathy AngPhillipa SooRobert G. Chiu, Ken JeongJohn ChoSandra OhKimiko GlennMargaret ChoRuthie Ann Miles

A essa altura, não é novidade para ninguém que o mercado cinematográfico chinês se tornou tão ou mais relevante que o estadunidense. Com os filmes de animação, não é diferente. Animações chinesas se tornaram tão grandiosas que existe até um universo cinematográfico de longas animados sendo construído. Ambições à parte, um estúdio de animação despontou nos últimos anos como uma das principais revelações asiáticas no formato, o Pearl Studio. A empresa, que começou como um braço da DreamWorks Animation, agora trabalha em filmes próprios, como Abominável, lançado em 2019, e a mais recente aposta é uma coprodução realizada com a Netflix inspirada em uma antiga lenda chinesa que não perde em nada para as animações hollywoodianas.

A Caminho da Lua tem uma história ligeiramente diferente das que estamos acostumados. Começando pelo fato de que é uma narrativa essencialmente chinesa, esse longa também entra em um fator pouquíssimo abordado por filmes de animação: o segundo casamento do pai ou da mãe. A trama acompanha Fei Fei (voz original de Cathy Ang), uma garota na pré-adolescência que perdeu a mãe há alguns anos. Fei Fei é uma jovem cheia de energia e muita paixão pelos seus pais, especialmente sua mãe, quem lhe apresentou a história de Chang’e, a deusa chinesa da Lua. Seu pai (voz original de John Cho) conhece a Sra. Zhong (Sandra Oh), por quem acaba se apaixonando, mas Fei Fei não gosta da ideia, e busca a ajuda de Chang’e para que seu pai continue viúvo e não se case novamente. Para isso, constrói um foguete amador com destino à Lua.

Filmes de animação geralmente se vendem com a união de uma história cativante e de um visual acima da média. A Caminho da Lua tem as duas coisas. Apesar do roteiro cair algumas vezes nos clichês de um longa dedicado ao público infantil, você se pega facilmente torcendo para Fei Fei. A garota tem uma motivação bastante egoísta inicialmente, mas ela é só uma criança, e é ótimo ver a evolução da personagem, principalmente a Chin (Robert G. Chiu), o filho da Sra. Zhong que gosta de chamar Fei Fei de “irmã”. Além de Fei Fei, a outra personagem que ganha um bom desenvolvimento do roteiro é Chang’e (Philipa Soo, de Hamilton). A lenda da deusa da Lua é sobre a mesma ter ficado viúva milênios antes, e agora ela está completamente obcecada com a ideia de trazer seu amor de volta.

O roteiro não desenvolve muitos personagens além de Fei Fei e Chang’e, mas consegue entreter. Um dos pontos principais de entretenimento é o fato do filme ser um musical, no melhor estilo Disney. A Caminho da Lua chega a ter mais canções e momentos musicais do que Frozen, por exemplo, com destaque ‘Ultraluminary’, cantada por Phillipa Soo, que combina as duas principais facetas da sua personagem, a de uma deusa folclórica e a de uma diva pop, fugindo um pouco do estilo que a Disney nos acostumou. Mas é claro que também tem uma canção-tema, ‘Rocket to the Moon’, que lembra bastante as de filmes como A Bela e a Fera, cheia de carga emotiva e que transmite os sentimentos da personagem.

A Caminho da Lua é ainda um filme visualmente belíssimo. A animação é tão inventiva quanto alguns longas recentes como Viva: A Vida É uma Festa, contando com cenários que são literalmente de outro mundo, na falta de expressão melhor, e uma explosão estonteante de cores. Os personagens também possuem fluidez em seus movimentos, mostrando que a animação computadorizada foi realizada com bastante cuidado e esmero. Isso com certeza vem da carreira de Greg Keane, ex-animador da Disney que aqui faz sua estreia na direção. Keane trabalhou em grandes clássicos do estúdio, como A Pequena SereiaTarzan.

No final das contas, A Caminho da Lua pode ser um ótimo programa tanto para as crianças, que vão adorar os personagens fofinhos e o festival de cores, quanto para os adultos, aqueles que gostam de uma boa história e de uma boa animação, especialmente em um ano em que estamos carentes de bons lançamentos animados. Se Klaus a primeira aposta da Netflix para o Oscar de Melhor Longa de Animação, A Caminho da Lua vai ser a principal aposta da empresa para essa categoria e também a de Melhor Canção Original. A Disney e a Pixar que se cuidem nas premiações!

Nota:


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João Vitor Hudson

João Vitor Hudson é um publicitário aos 22 anos. Ama cinema desde quando desejava as férias escolares só pra assistir todos os filmes do Cinema em Casa e da Sessão da Tarde. Ama o MCU, e confia bastante no futuro da DC nos cinemas.

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