Sala Crítica
Críticas Destaque TV e streaming

The Alienist: Angel of Darkness | Crítica

The Alienist: Angel of Darkness | Crítica

Crítica de The Alienist: Angel of Darkness, da NetflixThe Alienist: Angel of Darkness

Temporada:

Ano: 2020

Elenco: Dakota Fanning, Daniel Brühl, Luke Evans, Rosy McEwen, Ted Levine, Douglas Smith, Matthew Shear

Em 2018, The Alienist foi ao ar em formato de minissérie, sendo uma adaptação da obra de Caleb Carr, que conta a história do alienista Laszlo Kreizler (Daniel Brühl) que, utilizando sua inteligência – e arrogância – busca descobrir quem é o responsável pelo assassinato de prostitutos adolescentes em uma Nova York do final do século XIX. A produção original do TNT e distribuída no Brasil pela Netflix chamou a atenção pela impecável ambientação de época, mas, mesmo com uma boa tensão, contava com um roteiro frágil em diversos momentos.

Dois anos depois, tudo mudou. A minissérie virou uma série, lançou a sua segunda temporada e o mais impressionante: deixou o personagem-título de lado para dar protagonismo para sua coadjuvante, a detetive Sara Howard (Dakota Fanning). Sim, o alienista Laszlo virou apenas uma figura satélite em Angel of Darkness, com pouca contribuição para o desenrolar da história. Nos oito novos episódios, a trama gira totalmente em torno do feminino.

A trama abraça a história de Sara – que, por sua vez, é baseada na vida de Isabella Goodwin -, mostrando como ela rompeu barreiras em uma época em que o machismo imperava, tornando-se a primeira investigadora da história, depois de ser a primeira mulher a trabalhar na delegacia da cidade. A personagem, com foco em sua carreira, não quer ser mãe ou viver uma vida convencional de casada e, justamente no caso de Angel of Darkness, ela precisa encontrar uma mulher que está roubando e matando bebês. Ou seja, logo uma mulher que não quer ser mãe é a esperança daquelas que perderam seus filhos. Para tal, ela contará com a ajuda de John Moore (Luke Evans), Laszlo e toda a turma da primeira temporada – além de algumas novas aquisições ao time.

Mais uma vez, a reconstituição da Nova York do século XIX é impecável. E os diretores da série não cansam de fazer com que a câmera vagueie pelas ruas da cidade, mostrando todo o cuidado no trabalho de design de produção. Até mesmo os planos aéreos, que trazem a metrópole norte-americana maquiada com CGI, são bem feitos e enchem os olhos. Os figurinos, todos incríveis, ajudam a compor essa transição para a época retratada em Angel of Darkness. Em quesito imersão, a produção não deixa nada a desejar. É uma viagem de primeira classe ao passado.

Agora, voltando para a história, os novos episódios conseguem trazer ainda mais violência e, desta vez, nem bebês escapam das ações da mente doentia da temporada. Com isso, o nível de tensão é elevado, afinal, são bebês e tememos por eles o tempo inteiro. E, com dois capítulos a menos que o primeiro ano, Angel of Darkness não tem muito tempo a perder – o que torna a série mais frenética, mas, ao mesmo tempo, não consegue desenvolver tão bem os personagens coadjuvantes quanto na temporada anterior. Assim, alguns arcos acabam ficando vazios e com desfechos pouco criativos.

E, mesmo sendo mais complexo que o seu primeiro ano, principalmente por revelar a antagonista com antecedência e, com isso, poder trabalhar melhor as suas motivações, a nova temporada derrapa em erros do passado. O roteiro, mais uma vez, acaba apresentando situações que não condizem com a inteligência apresentada pelos personagens – tudo em nome do suspense, mas fica difícil de engolir, por exemplo, que os três protagonistas entrem no covil do vilão sem proteção policial, que estava toda fora da casa.

Mais uma vez, as atuações ajudam a elevar a nota de The Alienist. Mesmo com Daniel Brühl tendo bem menos tempo de tela, a sua presença segue sendo sentida durante todos os episódios da série. O ator puxa os holofotes para si quando está em cena. Já Dakota Fanning, que virou a peça central de Angel of Darkness, segura bem o protagonismo e consegue transmitir a energia de sua personagem sem fazer muito esforço. Luke Evans, que fecha a trinca de mocinhos, apresenta uma boa evolução de sua atuação em comparação com os primeiros episódios. Porém, o grande destaque fica com a estreante Rosy McEwen, que vive a enfermeira Libby Hatch. A atriz surpreende e domina a série, deixando difícil de acreditar que este é o seu primeiro trabalho em frente às câmeras.

Mantendo o nível de sua primeira temporada, The Alienist: Angel of Darkness apresenta uma trama densa e que tem mais ramificações, conseguindo costurar bem os dramas da protagonista com o caso o qual ela investiga, não precisando forçar grandes revelações para que isso aconteça. Mesmo com deslizes no roteiro, com resoluções fáceis para o destino de alguns personagens, a história nunca deixa de ser interessante – e isto é o mais importante. Que venha logo a terceira temporada… Afinal, tem mais um membro do trio de amigos que precisa de protagonismo, né, John Moore?

Nota:


Quer ficar por dentro de todas as novidades sobre filmes e séries? Siga a gente no Instagram!

The following two tabs change content below.
Jornalista e radialista, é um dos fundadores do Bode na Sala. Se orgulha de ter nascido em São Borja, no interior do Rio Grande do Sul, e, atualmente, mora em Porto Alegre. Trabalhou em todas as áreas que se pode imaginar, mas acabou caindo no submundo geek. É fã do Jim Carrey, acha que o Ben Affleck é o melhor Batman do cinema, não suporta pseudo-cultismo e pretende dominar o mundo.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *