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Sem Conexão | Crítica

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Crítica de Sem Conexão, terror da NetflixSem Conexão (W lesie dziś nie zaśnie nikt)

Ano: 2020

Direção:  Bartosz M. Kowalski

Roteiro: Bartosz M. Kowalski

Elenco: Julia Wieniawa-Narkiewicz, Michał Lupa, Wiktoria Gąsiewska, Stanisław Cywka, Sebastian Dela, Gabriela Muskała, Michał Zbroja, Mirosław Zbrojewicz, Piotr Cyrwus, Olaf Łubaszenko, Wojciech Mecwaldowski, Bartłomiej Kotschedoff, Bartłomiej Firlet, Małgorzata Szczerbowska, Izabela Dąbrowska

 Sem Conexão é mais um dos vários filmes que tiveram sua estreia impedida pela pandemia do Covid-19. Marcado para ser lançado nos cinemas em março de 2020, sete meses depois chegou à Netflix, sem passar pela grande tela. O longa-metragem polonês é um slasher nos moldes oitentistas, porém com uma temática mais atual: jovens viciados em tecnologia e redes sociais.

A trama começa com um acampamento para jovens, caracteristicamente encontrado nesse estilo de filme dos Estados Unidos, só que habitado no leste europeu. Os pais enviam seus filhos adolescentes para lá para fazerem um detox de toda e qualquer tecnologia. Trata-se de uma semana acampando, sem qualquer celular ou dispositivo eletrônico por perto. Divididos em pequenos grupos, cada um acampa em uma parte diferente da floresta com seu instrutor.

Embora com algumas sutis tentativas de inovação dos personagens, todos caem naqueles mesmos clichês que, há 35 anos, em 1985, o Clube dos Cinco já nos apontava: a esquisita, o nerd, a patricinha… E por aí vai. A final girl Zosia (Julia Wieniawa) – e isso não é absolutamente nenhum spoiler – é um ponto reluzente no escuro quando se trata de seu próprio destino no filme: entre vários adolescentes tagarelas, ela é quieta, introspectiva, não vaidosa, sem interesse por sexo e possui um passado trágico. O cheiro de sobrevivente pode ser sentido a quilômetros de distância.

O filme utiliza como ambientação algumas tomadas aéreas que nos ajudam a ter uma ideia do quão isolados eles realmente estão no que parece ser uma grande Floresta Amazônica no meio da pequena Polônia. Aí, no entanto, começam algumas das incoerências do filme: como um acampamento para menores de idade os coloca em um local tão isolado, sem absolutamente nenhum contato com os outros grupos de jovens e seus instrutores? Em dado momento do filme, é dito que eles estão a dois dias de distância do vilarejo mais próximo. Para ambientar o filme e tornar o assassino mais ameaçador, esse tipo de decisão é imperativa, mas simplesmente não faz sentido a necessidade de levar os adolescentes para um lugar tão ermo e longe de qualquer tipo de ajuda, uma vez que eles já não possuem nenhum meio de contato com o mundo exterior.

O assassino, em si, é uma das poucas coisas realmente inovadoras do terror polonês. De início, há apenas a figura humana deformada – com bolhas, ferimentos e um corpo engrandecido e disforme – a atacar sem motivo o grupo de jovens. Com o andar da narrativa, somos apresentados à história desse monstro misterioso e como ele se tornou o que é. Com elementos de sci-fi e um plot twist interessante, o perseguidor sem nome possui os ares de Jason Voorhees (de Sexta-Feira 13) ou Michael Myers (de Halloween), com o mesmo jeito caladão e a motivação para matar mais simples de todas: porque eu quis.

Sem Conexão se demora em alguns dramas que, em meio ao que acontece em cenas paralelas, tornam-se um tanto cômicos e sem o peso comovente que deveriam ter. Contudo, a comicidade é um elemento comum à maioria dos slashers, e dentro das características do subgênero, um diálogo emocionante interrompido por esquartejamentos não é nada que a gente já não tenha visto em roupagens ligeiramente diferentes.

De fato, muitos dos elementos daquelas saudosas franquias dos anos 80 estão presentes no longa polonês. Porém, há uma palpável falta de carisma no filme que faz com que mesmo os acontecimentos e personagens mais interessantes não sejam tão marcantes assim. Na sua porção inicial, muito tempo é perdido introduzindo e humanizando os personagens, mas sem fazer com que realmente nos interessemos pelos seus dramas antes de a parte divertida (e sangrenta) começar. Algumas tramas possuem um grande potencial para acrescentar novas camadas ao filme (como a do padre ou a do fazendeiro), mas são introduzidas tarde demais no filme, e se ofuscam com o andar dos acontecimentos.

Como qualquer slasher, Sem Conexão não é um filme para ser levado muito a sério, e essa é um dos atrativos do subgênero. No entanto, ainda que seja um filme com certa dose de criatividade, falta charme e personalidade – o feijão com arroz que o separa dos filmes americanos que o inspiraram.

Nota:


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Jornalista que migrou para a veterinária, mas sem deixar para trás as jornalices. Vive e respira horror, seja em quadrinhos, filmes, séries ou livros. Último posto de defesa da DC Comics em relação à Marvel, embora tenha que fazer vista grossa quando o papo é cinema. Fã de Heavy Metal, games single player e cospobre de carteirinha quando sobra dinheiro no final do mês.

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