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Uma Invenção de Natal | Crítica

Uma Invenção de Natal | Crítica

Crítica de Uma Invenção de Natal, da NetflixUma Invenção de Natal (Jingle Jangle: A Christmas Journey)

Ano: 2020

Direção: David E. Talbert

Roteiro: David E. Talbert

Elenco: Forest Whitaker, Keegan-Michael Key, Madalen Mills, Phylicia Rashad, Hugh Bonneville, Anika Noni Rose, Ricky Martin

No começo de Uma Invenção de Natal – tradução genérica para um filme que não é –, vemos uma avó (Phylicia Rashad) pronta para ler um livro para seus dois netos. Eles, então, perguntam se o conto escolhido será o clássico A Noite Antes do Natal e ela, então, responde: “Acho que é hora de uma nova história”. E é realmente o que vemos na produção original da Netflix: uma novidade.

Para começar, o filme conta com um elenco majoritariamente negro, bem como o seu diretor e roteirista, David E. Talbert. Além disso, a produção, que é um musical, conta com uma mistura de ritmos, com bastante destaque para o R&B – o que difere bastante das tradicionais produções natalinas. É essencial trazer novas cores e ritmos para um ambiente tão dominado por um “tradicional” preguiçoso, que não busca olhar para a diversidade ao redor.

Na história contada pela avó, somos apresentados a Jeronicus Jangle, que é conhecido como o “maior inventor do mundo”, mas que, após ser traído por seu ajudante, que roubou a sua maior criação e seu livro de ideias, viu sua vida cair em desgraça. Décadas depois, afastado de sua filha, falido e sem a “magia” que tinha, tudo muda quando recebe a visita de sua neta, Journey (Madalen Mills), a quem não conhecia.

Dentro de sua proposta, Uma Invenção de Natal apresenta uma história cativante, de esperança e de perdão, excelente para a época de festas. Porém, o roteiro do longa, mesmo que este seja focado nas crianças, conta com diálogos fracos e resoluções clichês – o que não é de todo mal, mas algumas declarações expositivas incomodam. Para um filme criativo, faltou um afinamento no script.

No entanto, nas performances, o longa triunfa. Forest Whitaker, que vive Jeronicus já em sua fase ressentida, surpreende com sua cantoria e parece estar à vontade no papel – apesar de algumas mudanças de personalidade do personagem que não convencem, mas aí não é culpa do ator. Keegan-Michael Key, como vilão, demonstra-se um showman, cantando e dançando. Ricky Martin, que dubla Don Juan Diego, está divertidíssimo. Mas o grande destaque é a estreante Madalen Mills, atriz-mirim que é o coração do filme. Uma menina brilhante e talentosa.

Crítica de Uma Invenção de Natal, da Netflix

Os números musicais são shows à parte. Com bastante harmonia, as canções são inseridas em momentos certos e não há exageros, seja na duração das mesmas ou de quantas são apresentadas durante o longa. E a mistura de ritmos é excelente, com música original e produção de John Legend, transformando o filme em um produto pop cheio de coração.

E, além disso, quando as sequências musicais acontecem, é interessante ver a interação de Jeronicus com os integrantes do mesmo – é utilizada a metalinguagem, com o personagem percebendo que aquelas pessoas ali estão cantando e dançando, questionando, inclusive: “Vocês são um grupo?”. Ótimas sacadas e que ajudam até mesmo a criar uma aceitação maior com o público que não é tão fã assim de musicais.

E, para finalizar os elogios, o visual do filme é excelente, com as criações de Jeronicus tendo um interessante estilo steampunk, os figurinos cheios de cores e referências a vestimentas africanas, ao mesmo tempo em que os cabelos dos atores e atrizes ficaram fantásticos. É nítido na tela que todo o longa foi realizado com muito esmero e com uma equipe realmente talentosa cuidando de todos os detalhes. As inserções em stop-motion e o CGI empregado também ficaram na medida.

Apesar de alguns arcos e personagens terem sobrado, apenas ajudando a inchar o longa – o que levou a algumas resoluções rápidas e sem a magia que o longa tenta oferecer durantes as suas duas horas de duração. Mas, apesar de ter seus erros, Uma Invenção de Natal traz uma refrescante opção para as histórias de final de ano. E as suas mensagens, de amor, perdão e, principalmente, da magia de acreditar, são muito importantes para os dias de hoje.

Nota:


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Jornalista e radialista, é um dos fundadores do Bode na Sala. Se orgulha de ter nascido em São Borja, no interior do Rio Grande do Sul, e, atualmente, mora em Porto Alegre. Trabalhou em todas as áreas que se pode imaginar, mas acabou caindo no submundo geek. É fã do Jim Carrey, acha que o Ben Affleck é o melhor Batman do cinema, não suporta pseudo-cultismo e pretende dominar o mundo.

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