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The Crown – 4ª temporada | Crítica

The Crown – 4ª temporada | Crítica

The Crown – 4ª temporada

Ano: 2020

Criação: Peter Morgan

Elenco: Olivia ColmanTobias MenziesHelena Bonham Carter, Gillian AndersonJosh O’ConnorEmma CorrinErin DohertyMarion BaileyEmerald Fennell, Angus Imrie, Tom Byrne, Tom Brooke, Claire Foy, Charles Dance

Desde o anúncio de The Crown, muita gente já estava ansiosa para saber como a produção da Netflix lidaria com uma das fases mais polêmicas da família real britânica: o conturbado casamento de Príncipe Charles e Princesa Diana. Após três temporadas muito bem construídas sobre como os Windsor podem ser prejudiciais a si mesmos em meio a tanta hipocrisia, o quarto ano chega com a aguardada personagem e com um dos períodos políticos mais alvoroçados do Reino Unido: o thatcherismo. 

A nova remessa de capítulos de The Crown mantém o caráter episódico das temporadas anteriores, mas a diferença é que tudo agora está um nível acima. O foco (além da Rainha Elizabeth II de Olivia Colman) dessa vez é na primeira-ministra do Reino Unido, que ocupou o cargo por 11 anos e meio, e no casal real que estampou capas de revistas e  tabloides do mundo todo durante os anos 80 e 90. Com o foco nessas figuras tão controversas, The Crown entrega sua temporada mais afiada e crítica, e a primeira em que Elizabeth II é, de fato, uma “vilã” de sua própria história.

Vamos falar das principais adições ao elenco. A experiente Gillian Anderson (de Arquivo X e Sex Education) entrega a melhor atuação de sua carreira na pele da Margaret Thatcher, a queridinha do Partido Conservador do Reino Unido que, nos anos 80, formou uma dupla e tanto com Ronald Reagan. O roteiro de The Crown sempre procurou explorar as várias camadas de seus personagens, e aqui vemos que dar muito espaço para uma das políticas mais controversas do século XX foi uma decisão mais do que acertada, especialmente pela contratação de Anderson para interpretar Thatcher. À medida que os episódios avançam, vemos que, além de ser poderosa, ela também é uma mãe, uma esposa, e um ser humano. Nada disso ameniza o fato de que Thatcher aumentou exponencialmente o desemprego da nação, que chegou a níveis alarmantes a ponto de Elizabeth II, pela primeira vez, dar sua opinião pública sobre um primeiro-ministro, já que as consequências acabaram chegando no Palácio de Buckingham, como o quinto episódio deixou isso bem claro.

A outra grande adição da série é Emma Corrin na pele de Diana Spencer, futuramente Diana, Princesa de Gales. A atriz entrega tudo o que se esperaria de uma Lady Di. Além de ser bastante parecida fisicamente, Corrin tem todos os trejeitos de Diana. Ela faz o mesmo olhar, as mesmas poses, e fica claro que Corrin estudou bastante a personagem antes de gravar suas cenas. O roteiro mostra uma Diana angelical, mas que também é infeliz em seu casamento com Príncipe Charles (Josh O’Connor, também excelente). Diana é uma ótima mãe, mas sua infelicidade é perceptível. The Crown também se mostra um projeto corajoso ao abordar um fato que os tabloides adoravam publicar, que é a bulimia de Diana. Nos episódios em que essas cenas são explicitamente mostradas, a Netflix colocou um aviso antes do início, falando que poderia ser um gatilho para pessoas sensíveis a distúrbios alimentares. Depois de todos os problemas com 13 Reasons Why, dá pra ver que a Netflix aprendeu sua lição.

A 4ª temporada de The Crown foca bastante no egoísmo e na mesquinharia dos Windsor. Em um determinado episódio, Elizabeth percebe que não possui tanta conexão com seus quatro filhos, e decide marcar um almoço com cada um deles. Esse episódio é um dos mais profundos no que diz respeito à relação complexa da rainha e seus filhos – e de quebra traz um ácido prenúncio do que futuramente viria a ser a polêmica amizade de Príncipe Andrew (vivido por Tom Byrne) com o bilionário pedófilo Jeffrey Epstein, morto em 2019. Rainha Elizabeth II pode ser uma boa chefe de estado, mas não soube ser uma mãe presente. Isso fica ainda mais evidente quando Diana se mostra uma mãe amorosa e presente, tudo que Elizabeth não foi para Charles, o que torna ainda mais conturbada a relação da família real com a Princesa de Gales.

Durante toda sua história, The Crown se mostrou extremamente fiel aos figurinos e objetos de cena da época. Na 4ª temporada, isso se mantém. A fidelidade nas roupas de Diana, Thatcher e todo o resto do elenco é, com o perdão do trocadilho, majestosa. Fica evidente que a equipe da série trabalhou bastante para torná-la fiel no visual, e que também contou com um generoso orçamento da Netflix para que toda a pompa da realeza fosse representada em tela.

Nas suas primeiras temporadas, ainda não estava claro qual era o objetivo de Peter Morgan, showrunner da série, ao fazer um programa sobre a família real britânica. A partir da 3ª e especialmente na 4ª percebe-se que sua intenção era mostrar todos os lados dos Windsor, os pontos positivos e os negativos. A família real tem muitos fãs, especialmente no Reino Unido, em que a população culturalmente venera seus membros. Depois da 4ª temporada de The Crown, será possível concluir que a Rainha Elizabeth II não continua viva por ser uma reptiliana, mas sim por se manter passando por cima dos outros menos poderosos. Se você é fã da família real britânica, melhor que repense isso.

Nota:


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João Vitor Hudson

João Vitor Hudson é um publicitário aos 22 anos. Ama cinema desde quando desejava as férias escolares só pra assistir todos os filmes do Cinema em Casa e da Sessão da Tarde. Ama o MCU, e confia bastante no futuro da DC nos cinemas.

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