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Era uma Vez um Sonho | Crítica

Era uma Vez um Sonho | Crítica

Crítica de Era uma Vez um Sonho, da Netflix

Era uma Vez um Sonho (Hillbilly Elegy)

Ano: 2020

Direção: Ron Howard

Roteiro: Vanessa Taylor

Elenco: Amy AdamsGlenn CloseGabriel BassoHaley BennettOwen AsztalosFreida PintoBo Hopkins

Existe uma grande ironia em Era uma Vez um Sonho. O novo filme de Ron Howard – que não dirige um longa decente desde Rush – está no espectro dos chamados “Oscar-baits”, ou “isca de Oscar” em tradução livre. Mas Era uma Vez um Sonho foi estrelado justamente por duas atrizes que, embora excelentes, são algumas das maiores perdedoras de Oscar da história, Amy Adams e Glenn Close. Como se tudo isso não bastasse, o filme nem chega a ser bom, minando todas as (poucas) chances que teria no Oscar. O título nacional de um filme – novamente uma versão genérica do que é o original – nunca foi tão simbólico.

Vamos começar com a história. Era uma Vez um Sonho é baseado em um livro homônimo (Hillbilly Elegy no original) escrito por J.D. Vance, que é baseado na vida do próprio autor. A história é sobre abuso familiar, e atravessa três gerações dessa família em dois períodos diferentes. J.D. (Gabriel Basso na parte adulta e Owen Asztalos na adolescência) é filho de Beverly (Amy Adams) e neto de Mamaw (Glenn Close), duas mulheres com seus traumas e que são bastante abusivas. Beverly é uma dependente química, e vez ou outra isso é refletido na vida de seu filho. E é essa a “história”.

Em um filme que – imagina-se – foi realizado na intenção de obter prestígio durante a temporada de premiações, é esperado que ele seja merecedor. Aqui não é o caso. Existe sim um esforço das atrizes principais – embora tal esforço sempre seja prejudicado pelo fraquíssimo roteiro –, da equipe de maquiagem, e até da direção de Howard, que movimenta uma câmera manual que remete aos filmes indie, mas nada disso é o bastante para salvar o filme, pois o roteiro e a montagem são um desastre.

Crítica de Era uma Vez um Sonho, da Netflix

A história simplesmente não avança, e os personagens sempre vivem no mesmo ciclo vicioso. Embora isso possa até mesmo ser uma característica humana, não existe um motivo fílmico para que os personagens sejam assim, já que ele tenta entregar uma mensagem forçada de superação sem o mínimo de profundidade. E isso também é refletido na montagem do filme, que pega o roteiro já sem graça e torna o filme em algo ainda mais chato, quase interminável, a ponto de o espectador se perguntar o porquê de continuar assistindo àquilo.

Era uma Vez um Sonho é um longa extremamente mal-montado. Vamos pegar, para exemplificar, um filme com uma trama não-linear, como o subestimado Maus Momentos no Hotel Royale. Ali, a não-linearidade é quase um personagem, um suspense tão bem arquitetado com personagens que, mesmo sem nenhuma conexão aparente entre si, ainda são muito bem desenvolvidos. O que acontece em Era uma Vez um Sonho é exatamente o oposto disso. Os personagens são literalmente parentes, mas são tão rasos que não existe boa atuação capaz de salvá-los da antipatia e do tom monótono que o filme entrega.

Era uma vez o sonho de que Glenn Close e Amy Adams pudessem ser vencedoras do Oscar uma vez na vida. Se um filme se preocupa mais com as premiações ao invés daquilo que faz com que as pessoas – que são essenciais para o sucesso de algo – mantenham seu interesse no mesmo, ele está fadado ao fracasso. Talvez não seja o caso de Era uma Vez um Sonho, já que é até fácil reconhecer alguma identificação com aquela família perturbada, e ainda é um longa da Netflix, o lugar onde qualquer coisa é capaz de fazer sucesso, mas se você está procurando um bom filme, esse aqui vai fracassar lindamente.

Nota:


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João Vitor Hudson

João Vitor Hudson é um publicitário aos 22 anos. Ama cinema desde quando desejava as férias escolares só pra assistir todos os filmes do Cinema em Casa e da Sessão da Tarde. Ama o MCU, e confia bastante no futuro da DC nos cinemas.

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