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Tudo Bem no Natal Que Vem | Crítica

Tudo Bem no Natal Que Vem | Crítica

Tudo Bem no Natal Que Vem

Ano: 2020

Direção: Roberto Santucci

Roteiro: Paulo Cursino

Elenco: Leandro HassumElisa PinheiroDanielle WinitsLouise CardosoArianne BotelhoMiguel RômuloRodrigo FagundesJosé Rubens ChacháLevi Ferreira

O nome de Leandro Hassum é um dos mais relevantes no cenário brasileiro do humor. Após ganhar notoriedade na série Os Caras de Pau, o comediante se tornou uma estrela de cinema, cujo rosto no cartaz chamava público, que compareceu para assistir três Até Que a Sorte Nos Separe e dois O Candidato Honesto. Agora, o ator dá um corajoso passo em sua carreira e vai para a Netflix, e o primeiro fruto dessa parceria também é o primeiro filme brasileiro de Natal da plataforma de streaming.

Tudo Bem no Natal Que Vem acompanha Jorge (Hassum), um homem que nasceu no Natal e nunca teve uma festa de aniversário que não fosse acompanhada de um peru assado. Por conta disso, ele odeia o feriado e todas as implicações que vem com ele. Jorge é casado com a simpática Laura (Elisa Pinheiro), com quem tem dois filhos. Por um infortúnio do destino, ele é obrigado a ser o Papai Noel no ano de 2010, acaba caindo do telhado e só acorda no dia seguinte, que é justamente o Natal… de 2011, e no dia seguinte em 2012… A partir daí, tem início uma série de referências recicladas de comédias norte-americanas e até mesmo da carreira de Hassum.

O primeiro longa natalino da Netflix mostra o que é o legítimo Natal brasileiro. Um calor infernal, a família se reúne em casa, o tiozão faz a piada do pavê, especial do Roberto Carlos na TV, o cunhado mala pede dinheiro emprestado e um monte de crianças faz uma barulheira inacreditável. Mas a legitimidade do filme para por aí, porque ele é, na verdade, um grande déjà vu.

Se você já assistiu Como se Fosse a Primeira Vez, Click ou Esposa de Mentirinha, todos estrelados por Adam Sandler, verá que Tudo Bem no Natal Que Vem tem a trama sugada desses filmes. Exceto por ser um projeto que mostra o Natal no Brasil como ele realmente é, não há alma no longa de Hassum. O ator mostra que também se perdeu e está sempre fazendo os mesmos personagens, com os mesmos trejeitos e caretas e sem nenhuma inovação.

Por falar em ator, Hassum não é o único irritante do longa. Alguns personagens caricatos são muito bem-vindos, como Tio Vitor (José Rubens Chachá), mas não possuem o espaço devido que logo é tomado por Danielle Winits no papel da amante de Jorge, que ao lado de Hassum, se tornam os mais escrotos e “socáveis” do filme. Hassum e Winits já fizeram outros filmes juntos anteriormente, mas eles são os maiores inimigos de Tudo Bem no Natal Que Vem.

No entanto, nem tudo é ruim. Há algumas piadas recorrentes que realmente provocam risadas, como a idade do Vô Nhanhão (Levi Ferreira, que infelizmente faleceu este ano de Covid-19), e claro, a piada do pavê – esse que vos escreve tem alma de tiozão e gargalhou em todas as vezes que ouviu “é pavê ou pacumê”. A direção de Roberto Santucci também é eficiente em recriar, com poucas alterações, os mesmos Natais ano após ano, como na excelente série Boneca Russa, também da Netflix, e no filme No Limite do Amanhã.

Leandro Hassum está no caminho para se tornar o “Adam Sandler brasileiro”. O ator obteve uma bem-sucedida carreira no cinema, trabalhando com parceiros de cena recorrentes, se perdendo no mesmo personagem e agora transferindo sua carreira para a Netflix. Como os filmes de Sandler no serviço de streaming, Tudo Bem no Natal Que Vem entrou instantaneamente no Top 10 da plataforma, e não é de se duvidar que nas próximas semanas veremos uma notícia nos moldes de “Filme de Leandro Hassum é o conteúdo brasileiro mais assistido da Netflix”. Essa é uma parceria que promete durar, mas não é pedir muito que os próximos projetos sejam um pouquinho melhores, né?

Nota:


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João Vitor Hudson

João Vitor Hudson é um publicitário aos 22 anos. Ama cinema desde quando desejava as férias escolares só pra assistir todos os filmes do Cinema em Casa e da Sessão da Tarde. Ama o MCU, e confia bastante no futuro da DC nos cinemas.

Comments

  1. Já que vc teve coragem de falar, João Vítor, concordo. Surpreendentemente, o Drama de Hassum me impressionou mais que a comédia. O filme é genial, só peca por ter exagerado na pastelaria, que também é típica do humor de Hassum. Mas no momento em que ele consegue ser inocente, exagerado e triste ao mesmo tempo, é de cair o queixo. O filme toca quem quer que o assista e isso é fantástico! Mais ainda se quando visto pela segunda vez.

  2. Duas estrelas não fazem juzbao filme, claro que cada um tem sua opinião, mas o filme é muito bom, muitas emoções, alegrias, tristeza… Excelente para refletir na vida, em especial nesse momento no qual estamos passando por tantas provações!

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