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O Som do Silêncio | Crítica

O Som do Silêncio | Crítica

Crítica de O Som do Silêncio, do Amazon Prime Video

O Som do Silêncio (Sound of Metal)

Ano: 2020

Direção: Darius Marder

Roteiro: Darius Marder, Abraham Marder

Elenco: Riz Ahmed, Olivia Cooke, Paul Raci, Lauren Ridloff, Mathieu Amalric

Ruben Stone (Riz Ahmed) é o baterista de uma banda de heavy metal em turnê pelos Estados Unidos. Ele namora com a vocalista Lou (Olivia Cooke) há quatro anos, mesma quantidade de tempos em que ele está longe das drogas e ela está longe da automutilação. Ambos vivem em um trailer e tudo parecia estar dando certo na vida dele até que ele sofre uma perda brusca de audição, que caiu para quase 20%. Incapaz de ouvir vozes como anteriormente, tocar no ritmo do resto da banda e sem dinheiro para um procedimento médico caríssimo que poderia recuperá-lo, ele é obrigado a buscar ajuda em um centro de apoio para surdos, sua única opção.

Sem nenhum tipo de contato com o mundo exterior, o que inclui até mesmo a própria namorada, Ruben precisa aprender a lidar com a nova condição enquanto vive isolado com outros surdos, liderados pelo compreensivo Joe (Paul Raci). Acostumado a uma rotina agitada, o protagonista demora para se adaptar ao seu novo normal, mas logo se torna um valioso membro da comunidade, ajudando seus colegas enquanto decide o que fazer da vida a seguir.

Desde sua revelação ao mundo em O Abutre, Riz Ahmed mostrou ser um intérprete excelente em The Night Of, que o fez levar o Emmy de Melhor Ator em Minissérie para casa. No entanto, ele não conseguia papéis igualmente proveitosos no cinema, mesmo participando de blockbusters como Rogue One, Jason Bourne e Venom, sempre reservado a coadjuvantes. Com O Som do Silêncio, Ahmed volta ao protagonismo com uma atuação poderosa, alternando entre explosões e momentos delicados, sendo o coração do filme. Não seria estranho vê-lo com frequência na próxima temporada de premiações.

Mesmo que esteja ausente no segundo ato inteiro, Olivia Cooke também consegue se destacar. Sua personagem é muito bem desenvolvida e a atriz consegue explorar sua cantora e o passado conturbado dela com muito talento – chega a ser uma pena em que ela não estivesse mais presente. Por fim, Paul Raci consegue estabelecer uma relação quase paterna entre seu Joe e Ruben, que leva a um dos momentos mais tocantes do longa.

Em sua estreia na direção, Darius Marder, que também co-escreveu o roteiro com seu irmão, Abraham, manda muito bem, tanto no comando dos atores quanto nas partes técnicas da produção. O design de som nunca deixa de impressionar ao nos colocar na posição do protagonista com o seu problema de audição representado para o público. Um momento em específico mostra um jantar aparentemente silencioso entre os membros da comunidade de surdos do longa, até que o ponto de vista sai de Ruben e vemos todo um universo de sons que ele está perdendo. Mais de uma vez este recurso é utilizado e o efeito nunca de ser impactante.

O arco dramático de Ruben é muito bem estruturado. Desde o começo estabelecendo o seu histórico com drogas (que volta de maneira inteligente no clímax) e sua impulsividade com ele aprendendo não apenas a viver com a sua nova condição, mas também a se tornar uma pessoa menos egoísta e mais calma. O arco de Ruben lembra o de Jackson Maine, personagem de Bradley Cooper em Nasce Uma Estrela, mas aqui é melhor desenvolvido.

Chegando a uma das melhores conclusões do ano até aqui, O Som do Silêncio é um ótimo veículo para uma atuação impressionante de Riz Ahmed, uma estreia de direção promissora e um longa que ressalta a importância da auto aceitação para conseguir lidar com seus conflitos.

Nota:


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Estudante de jornalismo, tem 21 anos e é assistidor de séries semi profissional. Viciado em cinema desde sempre, nunca trabalhou na área e pretende mudar isso algum dia. Fã do Studio Ghibli, slashers e musicais, adora cinema sul-coreano e nas suas formas de vingança.

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