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Teoria: Pietro de WandaVision é o mesmo Peter de X-Men?

Teoria: Pietro de WandaVision é o mesmo Peter de X-Men?

Desde a confirmação que o ator Evan Peters estaria em WandaVision (2021), o rumores de que ele reinterpretaria seu Mercúrio da franquia dos X-Men da Fox só aumentaram, especialmente depois que ele estreou no episódio 5 supostamente como Pietro Maximoff.

O desenvolvimento do personagem no episódio seguinte tentou nos fazer acreditar que realmente estávamos diante do Mercúrio de uma outra realidade e a falta de explicações sobre o sua aparição na série provocou ainda mais dúvidas.

Mas existe uma razão plausível que impediria Peter – ou qualquer personagem do universo dos X-Men da Fox – de aparecer no MCU e, por incrível que pareça, trata-se exatamente do próprio conceito de MULTIVERSO.

Não precisa ser um entusiasta da mecânica quântica para compreender a concepção de multiverso. Multiverso nada mais é do que um termo usado para descrever o conjunto hipotético de universos possíveis que, juntos, abrangem os mesmos aspectos da existência: a totalidade do espaço, do tempo, da matéria, da energia e das leis e constantes físicas que os descrevem.

Observem que, conceitualmente, para dois ou mais universos coexistirem dentro de um multiverso, estes universos devem, necessariamente, apresentar a mesma plenitude em relação às leis e constantes físicas, incluindo o TEMPO.

Sabe-se que o MCU é um universo ficcional e como tal tem liberdade poética de usar e abusar da suspensão da descrença para anular qualquer conceito científico vigente, mas Kevin Feige já nos deu muitas provas de que presa pela cientificidade, ainda que ficcional.

Em Thor (2011), Thor (Chris Hemsworth) diz a Jane Foster (Natalie Portman): “Seus ancestrais chamam de magia e vocês chama de ciência. Bem, eu venho de um lugar onde elas são a mesma coisa”. Em Capitão América: O Primeiro Vingador (2011), o vilão Jöhann Schmidt / Caveira Vermelha (Hugo Weaving) se considera superior por compreender a sinergia entre magia e ciência.

Mesmo em Doutor Estranho (2016) – refúgio místico do MCU – as conexões entre magia e ciência são claras. No filme assistimos a Anciã (Tilda Swinton) enviar a forma astral de Stephen Strange (Benedict Cumberbatch) por várias dimensões, incluindo o mesmo Reino Quântico que recebeu uma abordagem totalmente científica em Homem-Formiga (2015), Homem-Formiga e a Vespa (2018) e Vingadores: Ultimato (2019).

Até mesmo em WandaVision, uma série sobre bruxas e feiticeiras, a ciência está presente. É notória a preocupação da série em explicar como os poderes de Wanda Maximoff (Elizabeth Olsen) interferem cientificamente dentro e fora da anomalia criada pela protagonista.

É preciso ressaltar o cuidado que o MCU tem com a ciência para entender que, ainda que se trate de uma obra de ficção, as leis e constantes físicas precisam, a bem da coerência narrativa, obedecer minimamente uma lógica interna.

Considerando todas estas informações e observando o princípio da coesão, não faz o menor sentido que Evan Peters reprise seu papel de Mercúrio em WandaVision, uma vez que o MCU e o universo dos X-Men da Fox não deveriam fazer parte do mesmo multiverso, já que não compartilham das mesmas leis e constantes físicas.

Em X-Men: Dias de Um Futuro Esquecido (2014), longa em que Peters aparece pela primeira vez como Mercúrio, a consciência de Logan / Wolverine (Hugh Jackman) viaja ao passado na tentativa de mudar os eventos que levaram a extinção dos mutantes, portanto, alterando a história.

Já em Vingadores: Ultimato, Bruce Banner / Hulk (Mark Ruffalo) explica que o presente não pode ser alterado e que uma incursão no passado criaria uma realidade paralela. Aliás, a existência de realidades paralelas são determinantes para a essência do multiverso, possibilidade refutada em X-Men: Dias de Um Futuro Esquecido.

Consequentemente é possível afirmar com algum grau de certeza que o MCU e o universo dos X-Men da Fox não poderiam coexistir em um mesmo multiverso, relegando a participação de Evan Peters (como Pietro de WandaVision) a mero fan service de luxo.

Outra controvérsia provocada pelo Marvel Studios foi o recente anuncio de Deadpool 3 como parte do MCU, pois o universo do Mercenário Tagarela é refém da mesmíssima contradição de X-Men: Dias de Um Futuro Esquecido. Em Deadpool 2 (2018) vimos Cable (Josh Brolin) viajar no tempo para mudar o presente e salvar sua família no futuro.

Obviamente, embora preocupante, o Marvel Studios pode ignorar todas estas especificidades e canonizar todos os filmes da Fox e da Sony expandindo o MCU, mas sinceramente acredito que esta abordagem preguiçosa não é digna de um cineasta com a genialidade de Kevin Feige.

E vocês, leitores, o que desejam: ver todos estes universos misturados, apesar da incoerência, ou preferem que a lógica interna do MCU seja mantida?



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Dudu Correa

Dudu Correa é profissional de Comunicação e TI. Entusiasta da física quântica, um dos poucos brasileiros sem pós em Harvard. Curte filmes, séries e HQs, mas só coleciona histórias para contar.

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