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Falcão e o Soldado Invernal – Episódio 1: Nova Ordem Mundial | Crítica

Falcão e o Soldado Invernal – Episódio 1: Nova Ordem Mundial | Crítica

Falcão e o Soldado Invernal (Falcon and the Winter Soldier)

Episódio: 1 – Nova Ordem Mundial

Criação: Malcolm Spellman

Direção: Kari Skogland

Roteiro: Malcolm Spellman

Elenco: Anthony Mackie, Sebastian Stan, Don Cheadle, Adepero Oduye, Desmond Chiam, Wyatt Russell, Miki Ishikawa, Danny Ramirez, Ken Takemoto, Dani Deetté, Amy Aquino, Vince Pisani

ATENÇÃO: O texto a seguir contém spoilers de Falcão e o Soldado Invernal. Siga por sua conta e risco.

Seguindo com seus lançamentos prometidos para esse ano, a Marvel liberou o primeiro episódio da série de Falcão e o Soldado Invernal, que se passa alguns meses após os eventos de Vingadores: Ultimato, de modo a destrinchar as consequências dos últimos acontecimentos do universo.

O episódio começa com uma sequência de ação questionável de Sam Wilson (Anthony Mackie) resgatando um militar americano de um grupo terrorista genérico estrangeiro, com recursos caríssimos investidos – e desperdiçados – em um único sequestro. Embora a lógica do roteiro seja ruim, as cenas são bonitas, e as perseguições aéreas sem aeronave são um acontecimento raro no mundo audiovisual, o que é um ponto positivo. Após resgatar o militar e matar dezenas de inimigos sem necessidade hesitar, Sam volta a Nova Orleans para resolver os negócios da família. Estava morto nos últimos cinco anos, afinal.

Enquanto isso, James “Bucky” Barnes (Sebastian Stan) tenta lidar com o peso e a culpa de seu passado. Numa jornada mais intimista, o Soldado Invernal sofre com pesadelos dos assassinatos que cometeu, e está comprometido em corrigir os erros de seu passado — ou pelo menos se desculpar por eles. Nessa jornada de redenção, Bucky interage com pessoas simples, com vidas ordinárias, o que chega a ser um certo alento se comparado às megalomanias das últimas produções do estúdio. É interessante ver os problemas e sofrimentos de um pai que perdeu seu filho (e não tem poderes para sequestrar uma cidade inteira enquanto recria seu ente querido a partir do zero). Mais uma vez uma produção da Marvel fala sobre luto, e acertadamente.

Falcão e o Soldado Invernal certamente é voltada para o público porradeiro. A série certamente se voltará àqueles que procuram por explosão, pancadaria, tiroteio; a você eu digo: calma. Essa parte vai chegar. Mas é impossível construir uma narrativa no cenário atual do MCU sem citar as consequências do maior evento cósmico da história do cinema. Por cinco anos o mundo esteve sem metade de sua população. Aqueles que permaneceram tiveram de se adaptar, e a série toca nesse assunto de forma muito inteligente: primeiro com o memorial para o Capitão América (falaremos sobre esse tópico mais tarde), e mais tarde com o pedido de empréstimo de Sam. “Com toda essa gente voltando precisamos segurar as coisas”, disse o gerente do banco. O próprio Falcão não parece entender o tempo que esteve fora; sua irmã teve de lidar sozinha com muita coisa. A série acerta em não fechar os olhos para as feridas emocionais abertas por Thanos (Josh Brolin).

Off: Diriam não pra esse sorriso?

O ponto negativo a ser destacado é algo imenso. Falcão e o Soldado Invernal é uma produção sobre dois coadjuvantes do Capitão América, e vai se desenvolver nos ombros desses dois personagens e seus respectivos atores. Infelizmente Anthony Mackie tem se mostrado um tanto limitado em sua atuação, quase como se tivesse se formado na escola Joey Tribbiani de atuação. Mackie parece ter um mesmo “bico” em todas as expressões faciais e não consegue trazer naturalidade aos seus diálogos. A falta de carisma do ator pode acabar prejudicando o trabalho em equipe.

Além disso, Bucky está em um lugar mais sombrio, lidando com seu passado e o peso da culpa que carrega. A Marvel não é conhecida por sustentar dramas pessoais por muito tempo e sempre busca resolvê-los em tela. Wanda (Elizabeth Olsen) levou nove episódios para isso. Registro aqui meu receio de que o desenvolvimento do personagem acabe sendo apressado. Mas o maior desafio de ambos os personagens é lidar com a ausência de seu grande amigo e herói nacional, Steve Rogers (Chris Evans).

De forma inteligente, a série não deixa claro se o Capitão original está morto ou apenas desaparecido, e usa a expressão ‘gone‘ – que pode significar as duas coisas – para deixar a perspectiva em aberto. A ausência do herói é muito sentida e se soma à morte de Tony Stark (Robert Downey Jr.) para construir a ideia de que o mundo está sem um símbolo de heroísmo.

E é exatamente em cima disso que conhecemos o novo Capitão América! John Walker (Wyatt Russell) aparece vestindo o manto estrelado, e portando o escudo devolvido por Sam — que não se sentia digno de usá-lo. A cena é bem construída, inserida num momento em que as coisas já estão dando errado para o Falcão. A sensação de ver outra pessoa naquelas cores, segurando aquele escudo, não é nada boa. E olha que eu nem gosto muito do Capitão América; mas não pude deixar de ver John como um impostor dentro daquela roupa. Ponto para a direção e roteiro.

O episódio piloto traz bastante possibilidades para seu próprio desenvolvimento, e já dá ideias de por onde vai seguir. Se a escolha de Sam Wilson para substituir o Capitão foi extremamente questionável, Falcão e o Soldado Invernal pode ser justamente o que precisávamos para nos convencer do contrário. Além disso, parece que estamos vendo os próximos pilares do MCU: desde o movimento social que luta por um mundo sem fronteiras até as dificuldades do sistema econômico em se readaptar à reversão do Blip, fica claro que essa temática permeará pelo menos as séries da Marvel. Arrisco dizer que isso acontecerá nessas produções para que os filmes da Casa das Ideias não precisem gastar tempo nos explicando as consequências.

A série escolheu seu ritmo: começa com passos lentos, mas firmes. É menos criativa que a produção anterior, WandaVision, mas nem por isso tem menos qualidade, apenas caminha numa direção diferente.

A série é lançada pelo serviço de streaming Disney+ todas as sextas-feira, às 05h da manhã.

Nota:

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Ator, escritor, diretor e roteirista, Gabryel é ruim em todas essas coisas. Crítico por natureza, adora reclamar de tudo, e é fã de filmes que ninguém tem paciência pra assistir. Carrega a convicção de que Click é um clássico cult e quem discorda é clubista.

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