Sala Crítica
Críticas Destaque TV e streaming

Falcão e o Soldado Invernal – Episódio 2: O Herói Americano | Crítica

Falcão e o Soldado Invernal – Episódio 2: O Herói Americano | Crítica

Falcão e o Soldado Invernal (Falcon and the Winter Soldier)

Episódio: 2 – O Herói Americano

Criação: Malcolm Spellman

Direção: Kari Skogland

Roteiro: Michael Kastelein

Elenco: Anthony Mackie, Sebastian Stan, Wyatt Russell, Clé Bennett, Erin Kellyman, Adepero Oduye,  Desmond Chiam,  Miki Ishikawa, Danny Ramirez, Ken Takemoto, Dani Deetté, Amy Aquino, Vince Pisani, Carl Lumbly, Daniel Brühl

ATENÇÃO: O texto a seguir contém spoilers de Falcão e o Soldado Invernal. Siga por sua conta e risco.

Após uma estreia morna que serviu basicamente para apresentar os conflitos da trama e unir os protagonistas, Falcão e o Soldado Invernal finalmente mostra a que veio neste segundo episódio, mesclando o clima de espionagem e conspiração política com a crítica social que é marca registrada da Marvel nos quadrinhos.

Após o governo americano escalar John Walker (Russell) como novo Capitão América, traindo a confiança do falecido (?) Steve Rogers, Sam Wilson (Mackie) e Bucky Barnes (Stan) entram em missão para investigar a organização revolucionária Apátridas. Para isso, terão que lidar com os próprios problemas de relação e a interferência de Walker e seu parceiro, Lemar Hoskins (Bennett), em seu trabalho.

Neste episódio, a série criada por Malcolm Spellmann (Empire) mergulha a fundo nos comentários raciais. A descoberta de que existia um supersoldado negro (vivido com intensidade e rancor por Carl Lumbly), escondido pelo governo americano, atesta que o showrunner e seus roteiristas não terão medo de abordar temas delicados, mesmo que para isso tenham que mexer com símbolos lendários da Casa das Ideias. Nem o próprio Capitão América está livre de pertencer a uma estrutura social racista.

O momento em que a polícia de Maryland aborda Falcão de forma acintosa é emblemático. Aparentemente, nem o fato de ter salvo o mundo um punhado de vezes é o suficiente para que Wilson seja visto como um cidadão “digno” (ou branco, para ser mais claro). Dessa forma, é totalmente justificável que o personagem vivido por Mackie tenha abdicado do escudo confiado a ele. O comentário de que “nem você e nem Steve entenderiam” é sutil, mas perceptível aos mais atentos. Sam acredita que os EUA não estão prontos para ver um Capitão América negro.

Considerando isso, é curiosa a forma como se dá a dinâmica da nova dupla de heróis “oficiais”. Walker é claramente o líder, o protagonista da narrativa, e Hoskins está confortável na condição de mero assistente. Talvez seja assim que o governo americano quer que as coisas sejam. Estabelecer um conflito entre as duplas é uma decisão bastante inteligente nesse sentido.

Os Apátridas, terceiro eixo narrativo da série, recebem maior atenção aqui. Mostrados como uma organização com princípio louváveis e simpatia de parte da população, os revolucionários não são apenas vilões genéricos sem rosto. Descobrir as conexões deste grupo com grupelhos criminosos da Marvel será bastante interessante.

Também é interessante reparar nas discussões a respeito do “blip“. Afinal, metade do universo morreu e voltou depois de cinco anos, o que causa evidentes impactos socioeconômicos no planeta. Ao abordar de forma mais intimista esse assunto no episódio anterior, a série agora fala em uma escala macroeconômica, citando uma organização mundial responsável pela reinserção dessas pessoas na sociedade, inclusive aquelas que perderam suas casas. Realmente, continuidade e coesão nunca foram problemas para o Marvel Studios.

Ah, a ação! Sim, ela continua presente. A sequência de perseguição na estrada é bem construída e empolga. Kari Skogland administra bem os objetos da cena e sabe o momento certo de trazer cada elemento novo com surpresa, como os poderes dos Apátridas e a “triunfante” (só que não) chegada de Walker e Hoskins. O legado dos Irmãos Russo está em muito boas mãos.

Com uma trama empolgante e com boas perspectivas de crescimento a partir da inclusão de um velho conhecido dos fãs, Falcão e o Soldado Invernal finalmente demonstra sua voz e encontra lugar no coração do público. Mesclar ação com doses desconfortáveis, mas necessárias, de realidade é marca registrada da Marvel.

Nota:


Quer ficar por dentro de todas as novidades sobre filmes e séries? Siga a gente no Instagram!

The following two tabs change content below.
Jornalista em formação, ex-membro do finado e saudoso Terra Zero e leitor de histórias em quadrinhos. Fã de ficção científica e terror, divide seu tempo livre entre o cuidado com suas dezenas de gatos e a paixão pela cultura pop. Sonha com o dia em que perceberão que arte é sim, uma forma de discutir política.

Comments

  1. […] havia elogiado a coesão do Universo Marvel no episódio anterior, e agora dei com a língua nos dentes. Ainda que não exista contradição objetiva, os personagens […]

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *