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Falcão e o Soldado Invernal – Episódio 3: Mercador do Poder | Crítica

Falcão e o Soldado Invernal – Episódio 3: Mercador do Poder | Crítica

Falcão e o Soldado Invernal (The Falcon and the Winter Soldier)

Episódio: 3 – Mercador do Poder

Criação: Malcolm Spellman

Direção: Kari Skogland

Roteiro: Derek Kolstad

Elenco: Anthony Mackie, Sebastian Stan, Daniel Brühl, Emily VanCamp, Wyatt Russell, Clé Bennett, Erin Kellyman, Adepero Oduye,  Desmond Chiam,  Miki Ishikawa

ATENÇÃO: O texto a seguir contém spoilers de Falcão e o Soldado Invernal. Siga por sua conta e risco.

Mercador de Poder, terceiro episódio de Falcão e o Soldado Invernal, já começa com os heróis interrogando o Barão Zemo, vilão interpretado por Daniel Brühl. Ao demonstrar conhecimento sobre o submundo da Hidra e recursos para encontrar os super soldados dos Apátridas, o sokoviano dá a tônica de todo o capítulo: Sam Wilson e James Barnes estão agora em suas mãos, para o bem e para o mal. Indo de um lugar a outro do planeta em um avião que aparentemente, possui combustível infinito, Mercador… é o episódio mais irregular da série até aqui.

A trama é assinada por Derek Kolstad, “apenas” o criador da franquia John Wick – o que é até surpreendente. Não é como se os filmes protagonizados por Keanu Reeves fossem baluartes do drama, mas ao menos possuíam ritmo adequado e personagens que se mantinham em seus estereótipos. O Zemo traumatizado e determinado visto em Guerra Civil dá lugar um personagem que faz piadas e até dança. Ao tentar transformar o ex-militar em uma espécie de Loki às avessas, Falcão… desperdiça uma oportunidade única com um dos atores mais talentosos de sua geração.

A participação de Sharon Carter (Vancamp) é gratuita e banal. Coincidentemente refugiada em Madripoor, nação onde o restante do elenco estava (que mundo pequeno, esse da Marvel), a personagem é outra que se transforma em uma versão contraditória de si própria. Alguém explica como uma agente altruísta e abnegada se transformou em uma traficante de luxo de uma nação asiática? Eu não, e acredito que boa parte do público também não.

Curiosamente, havia elogiado a coesão do Universo Marvel no episódio anterior, e agora dei com a língua nos dentes. Ainda que não exista contradição objetiva, os personagens apresentam comportamento que diverge totalmente do que foi visto anteriormente.

Dito isso, algumas migalhas de contexto foram dadas à Karli Morgenthau (Kellyman) e aos Apátridas, como traumas pessoais e motivações para entrar na organização. Mas os Apátridas ainda são raros como pires. Pelo menos sabemos agora que eles também possuem maldade e podem matar, se necessário. Dessa forma podem representar uma ameaça mais significativa aos heróis.

A direção de Kari Skogland segue o ritmo irregular do roteiro. Há uma certa dificuldade com o ritmo e os cortes, que são excessivos e tornam o episódio confuso visualmente. A cena do bar em Madripoor e da perseguição seguinte é o melhor exemplo, já que fica difícil entender o quê está acontecendo, de onde os tiros estão vindo, qual o papel de Carter na ação, e assim por diante.

Em um episódio que negligencia Sam Wilson e o coloca como coadjuvante da própria história, Mercador… representa um tropeço no enredo de Falcão e o Soldado Invernal. E o acréscimo do que parece ser uma Dora Milaje à já confusa trama não anima muito. Vamos ver no que essa salada de frutas vai dar.

Nota:


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Jornalista em formação, ex-membro do finado e saudoso Terra Zero e leitor de histórias em quadrinhos. Fã de ficção científica e terror, divide seu tempo livre entre o cuidado com suas dezenas de gatos e a paixão pela cultura pop. Sonha com o dia em que perceberão que arte é sim, uma forma de discutir política.

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