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A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas | Crítica

A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas | Crítica

A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas (The Mitchells vs. The Machines)

Direção: Mike Rianda

Roteiro: Mike Rianda, Jeff Rowe

Elenco: Abbi Jacobson, Danny McBride, Maya Rudolph, Mike Rianda, Olivia Colman, Fred Armisen, Eric André, John Legend, Conan O’Brien

Phil Lord e Christopher Miller são uma dupla conhecida no ramo da comédia, seja pelos bem-sucedidos filmes que dirigiram (Anjos da Lei 1 e 2, Uma Aventura LEGO), pelas sitcoms que produziram (Brooklyn Nine-Nine) ou pelas desavenças com a LucasFilm no famigerado Solo: Uma História Star Wars. Lord e Miller têm também uma longa história com a Sony Pictures Animation, com o estilo mega criativo da dupla presente em Tá Chovendo Hambúrguer e no vencedor do Oscar Homem-Aranha no Aranhaverso. Esses dois filmes têm em comum um visual imaginativo, uma história envolvente e um humor nonsense. A fórmula Lord-Miller se repete agora em A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas, o novo longa da SPA (agora lançado pela Netflix) que conta com a dupla entre os produtores. E, novamente, a fórmula deu certo.

A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas é contado do ponto de vista de Katie (Abbi Jacobson), uma adolescente meio anti-social que encontrou nos filmes o seu principal refúgio. Ela é uma jovem criativa que sonha em estudar cinema na California e faz curtas-metragens caseiros com seu irmão caçula Aaron (Mike Rianda, que não por acaso também dirige a animação) e Monchi, o cachorro pug da família. Katie tem um bom relacionamento com sua mãe, mas é muito distante de seu pai, Rick (Danny McBride), que culpa as telas e a internet por esse distanciamento. Tudo muda quando, do nada, começa o apocalipse das máquinas.

Com esse novo filme, é possível dizer que a Sony Pictures Animation evoluiu, e isso vale tanto para a qualidade técnica quanto para a história (lembra de Emoji: O Filme e dos vários Hotel Transilvânia?). Emulando as técnicas mostradas em Aranhaverso, A Família Mitchell faz um trabalho primoroso utilizando uma combinação de 3D com contornos que destacam o tom cartunesco dos personagens e de animação 2D para apresentar suas emoções, especialmente de Katie, a mais desenvolvida do roteiro. Por falar nisso, é ótimo ver como os personagens, até mesmo sua vilã – uma assistente virtual à la Alexa com a voz de Olivia Colman – são ricos e muito bem construídos.

A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas se beneficia de algumas metáforas para compor uma reflexão sobre conexão. Katie é uma adolescente hiperconectada, com amizades do outro lado do país, enquanto seu pai, um homem xucro (no sentido literal da palavra, e não como o cantor sertanejo Rodolffo) e amante da natureza, é completamente alheio à tecnologia digital. Katie se conecta com pessoas que não conhece, mas não consegue fazer isso com seu pai, e por mais que seja um filme “infantil”, é doloroso ver essa relação tão distante, mas também é lindo ver a reaproximação entre um pai e sua filha.

O longa também faz uso de muitos easter eggs para tornar sua história mais atraente para o público mais velho. É um filme com muitas referências a músicas que bombaram nos anos 2000, a filmes dos anos 1980, e até mesmo a produtos que não vendem mais como antigamente. Afinal, que criança sabe hoje o que é um toca-discos e um Furby?

A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas tem uma conclusão animal e termina em seu auge. Mesmo com longa duração para uma animação (110 minutos), o filme nunca fica cansativo, e sabe dosar com maestria os momentos de humor e de drama. Além de ser uma animação de um grande estúdio que traz uma protagonista LGBT – e isso não é pouca coisa –, A Família Mitchell possui mais identidade que o filme mais recente da Disney, Raya e o Último Dragão, e prova que, se a Sony Pictures Animation e a relação de Katie com seu pai evoluíram, é possível mudar ideias que antes pareciam certezas e agora não encaixam mais.

PS: Assista com sua família para que todos aprendam o valor que essa estrutura possui, especialmente em tempos de crise como o que ainda estamos vivendo.

Nota: 


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João Vitor Hudson

João Vitor Hudson é um publicitário aos 22 anos. Ama cinema desde quando desejava as férias escolares só pra assistir todos os filmes do Cinema em Casa e da Sessão da Tarde. Ama o MCU, e confia bastante no futuro da DC nos cinemas.

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