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A Mulher na Janela | Crítica

A Mulher na Janela | Crítica

Crítica de A Mulher na Janela, filme da Netflix com Amy AdamsA Mulher na Janela (The Woman in the Window)

Ano: 2021

Direção: Joe Wright

Roteiro: Tracy Letts

Elenco: Amy Adams, Gary Oldman, Anthony Mackie, Fred Hechinger, Wyatt Russell, Brian Tyree Henry, Jennifer Jason Leigh, Julianne Moore

Nada é mais preocupante do que um estúdio com medo de lançar o próprio filme. Títulos ruins são lançados todos os anos sem cerimônia, mas quando os responsáveis ficam adiando muito a estreia, coisa boa não pode ser. E este é o caso de A Mulher na Janela, suspense baseado no livro homônimo produzido pela 20th Century Fox. A data de lançamento original era outubro de 2019, mas o longa foi tão mal recebido em exibições teste que refilmaram o final.

Depois das refilmagens, o resultado ainda não agradou a audiência. Azar, vai assim mesmo. Como um lançamento em maio de 2020 não era mais possível pot conta da pandemia do novo coronavírus, o longa ficou no limbo por meses até ser comprado pela Netflix – como todos já sabemos, eles lançam literalmente qualquer coisa. Mais de um ano e meio depois de sua data de estreia original, o filme está entre nós. E a Fox estava certa em escondê-lo.

Anna Fox (Amy Adams) é uma psicóloga infantil que sofre de ansiedade e agorafobia. Ela está sem sair de casa há 10 meses. As únicas visitas que ele recebe são de seu psiquiatra, Dr. Landy (Tracy Letts, que também escreveu o roteiro desta adaptação), e David Winter (Wyatt Russell), seu inquilino que mora no porão. Isolada, Anna passa o dia espiando a vida de seus vizinhos; tudo muda quando a família Russell se muda para a frente da casa dela.

A protagonista logo vira amiga de Ethan Russell (Fred Hechinger), o filho de 16 anos, e Jane Russell (Julianne Moore), a mãe do garoto. Anna logo nota evidências de violência doméstica acontecendo na casa dos vizinhos praticada por Allastair Russell (Gary Oldman), o pai. Um dia, as coisas passam dos limites e a psicóloga observa Jane sendo esfaqueada pelo marido. No entanto, quando ela chama a emergência, a polícia vê que está tudo certo com a família, mas sua amiga, Jane, agora é uma mulher completamente diferente (agora interpretada por Jennifer Jason Leigh). Perturbada, Anna começa a investigar para descobrir o que realmente aconteceu por conta própria, uma vez que ninguém acredita nela.

Por mais intrigante que a premissa seja, a execução deixa a desejar. No primeiro terço da produção, os diálogos soam artificiais e estranhos, principalmente os envolvendo Gary Oldman e Fred Hechinger, que falam como estivesse se esforçando para dizer palavras em uma língua diferente. A direção do veterano Joe Wright, responsável por Orgulho e Preconceito, Desejo e Reparação e O Destino de uma Nação, não é nada apropriada para um suspense. Wright apresenta um problema sério em criar tensão e desenvolver a urgência das situações. A trilha sonora também não combina em algumas cenas, com uma batida eletrônica desnecessária.

Outra tentativa frustrada de sua direção é de mostrar os acontecimentos pelo ponto de vista de Anna, enquanto a mesma mistura medicamentos controlados com bebidas alcóolicas. A intenção é boa, mas o que deveria ser bem construído e desorientador, é apenas uma grande bagunça com direito a momentos estranhos. O resultado como um todo é decepcionante, mas com uma hora de rodagem, o filme mostra o que ele poderia ter sido. Uma revelação muito importante é feita e a cena é nada menos que excelente. O jeito que a tensão escala, a protagonista é encurralada e obrigada e encarar a realidade é brilhante, tudo entregue com grande sensibilidade, criando um momento genuinamente tocante.

E grande parte de A Mulher na Janela ser assistível é crédito de Amy Adams. Mesmo que a atriz esteja muito acima desta produção, ela dá o seu melhor com o material e consegue elevar boa parte das cenas – algumas são tão ruins que nem a pobre atriz consegue consertar. O resto do elenco é de peso, mas sem grandes momentos para se destacar, com a exceção de Brian Tyree Henry como o detetive Little que, mesmo que não acredite na Anna, se mostra simpático e preocupado com ela. O ponto mais baixo é Fred Hechinger, que não é nada convincente em nenhuma das emoções que seu personagem precisa transparecer.

Por mais que o filme fique quase bom no segundo terço da narrativa, o final aparece para enterrar tudo de novo. A reviravolta é ridícula e risível, mas antes fosse só isso. Joe Wright cria uma dissonância tonal enorme ao mudar a atmosfera para o que apenas pode ser descrito como a direção de um filme de terror B de baixo orçamento, é quase satírico. É inexplicável como tudo fica ruim em questão de minutos.

A Mulher na Janela não esconde sua inspiração em Janela Indiscreta, mesmo que o trabalho de Alfred Hitchcock seja incomparável (o remake de Rebecca – Uma Mulher Inesquecível da Netflix prova isso), era possível fazer algo novo e interessante com o conceito, como é o caso de Paranoia. Infelizmente, são poucas as coisas que funcionam aqui e tudo o que resta é um gosto ruim na boca e uma chance desperdiçada.

Nota:


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Estudante de jornalismo, tem 21 anos e é assistidor de séries semi profissional. Viciado em cinema desde sempre, nunca trabalhou na área e pretende mudar isso algum dia. Fã do Studio Ghibli, slashers e musicais, adora cinema sul-coreano e nas suas formas de vingança.

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