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Especial | 8 mortes que não estávamos esperando

Especial | 8 mortes que não estávamos esperando

As vezes um filme ou série – assim como a vida –  pode ser leve e divertido e presentear o espectador com um soco no estômago. Lá está você, distraído e inocente, apreciando uma corrida de rua ou uma lutinha com sabres de luz e BAM! Um personagem morre de forma inesperada e dolorosa! Brincadeiras à parte, listamos abaixo oito mortes tristes da ficção (e uma menção honrosa) que nos pegaram de surpresa e podem – ou não – ter nos levado às lágrimas quando devíamos estar nos divertindo.

Atenção! Esse post contém MUITOS SPOILERS!

  • Bing Bong – Divertidamente (2015)

Ah, as animações! Sempre uma excelente oportunidade de entretenimento, diversão e, é claro, lágrimas! Em Divertidamente (2015), os sentimentos de Riley (Kaitlyn Dias) enfrentam problemas para lidar com a mudança de vida que a jovem está passando. Quando um erro acontece no sistema de classificação de memórias, Alegria (Amy Poehler) e Tristeza (Phyllis Smith) partem numa jornada pela mente para que Riley possa ser feliz e animada de novo. No meio do caminho conhecem Bing Bong (Richard Kind), o antigo amigo imaginário de Riley. Após se desentender com a Tristeza, Alegria e o elefante mágico acabam caindo na Lixeira do Esquecimento, o lugar que elimina todas as memórias que não precisamos mais. Nas tentativas de sair do buraco em que estão, os dois usam o antigo foguete de sua amiga – que deveria levá-la para a lua – mas continuam falhando em alcançar a borda. O elefante mágico logo percebe que o carrinho está pesado demais, e para ajudar Riley a voltar a ser feliz, faz o sacrifício máximo: se deixa cair no buraco do esquecimento para que Alegria consiga alcançar a borda. Enquanto nossos olhos começam a marejar com o gesto de Bing Bong, ele ainda tem tempo de dar a última punhalada: num sussurro de despedida enquanto desaparece, o elefante olha para a Alegria e pede “Salve a Riley! Leva ela pra lua por mim…”
Choro. Muito choro.

Gigante de Ferro – O Gigante de Ferro (1999)

Embora não tenha sido um sucesso em seu lançamento, O Gigante de Ferro se tornou um clássico cult, muito pelo pano de fundo geopolítico que ambienta sua história. A crítica que traz à belicosidade, porém, não se sobrepõe à bonita história de amizade entre o solitário Hogarth Hughes (Eli Marienthal) e o Gigante de Ferro (Vin Diesel), abandonado no ferro velho da pequena cidade de Rockwell. Enquanto um aprende mais sobre a natureza do outro, o governo federal se interessa pelo robô, e quer destruí-lo a todo pano, pois poderia ser uma arma soviética em solo americano. Ao final do filme, num acesso de paranoia um dos oficiais dispara um míssil nuclear apontado para Rockwell, que causaria a total destruição da cidade e morte de sua população. O Gigante, sem hesitar, se despede de seu pequeno amigo, carregado de seu ensinamento – “Você é quem você escolhe ser” – e voa para interceptar a bomba. Segundos antes do impacto, sorrindo, escolhe ser o herói de seu melhor amigo, e murmura para si mesmo “Superman“, se sacrificando para salvar a cidade. Nós, a exemplo de Hogarth, ficamos devastados com a morte do robô, que só queria encontrar seu lugar no mundo.

  • Han Solo – O Despertar da Força (2015)

A morte de Han Solo (Harrison Ford) já era especulada há muito tempo. Desde que o personagem foi congelado em carbonita em O Império Contra-Ataca (1980), o ator e vários fãs debatiam a possibilidade do contrabandista morrer. Ford, inclusive, declarou que gostaria que o personagem se sacrificasse pelos amigos, pois seria o desfecho mais lógico para seu destino. Mesmo assim, após anos de especulação e debate, ver Han ser atingido pelo sabre de seu próprio filho não foi nada fácil. Na trama, Han vai ao encontro de Kylo Ren (Adam Driver) – antes chamado de Ben Solo – tentar resgatar seu filho das trevas em que está. Num momento tocante, em que Ben diz ao pai que é tarde demais para ser salvo, Han estende a mão e segura o sabre do filho, dando a ele mais uma chance. Kylo, sabendo que não pode voltar atrás, mata Han sem hesitar, embora sua dor seja evidente.
Anos de especulação sobre a despedida do personagem, velo despencar da plataforma logo no primeiro filme da nova trilogia não foi nada fácil, e levou às lágrimas até o mais durão dos fãs.

  • Michael Newman – Click (2006)

Achou que não teria Adam Sandler nessa lista? Achou errado, otário! No excelente Click (2006) acompanhamos o arquiteto ‘workaholic’ Michael Newman, que tentando se livrar de muitos controles remotos acaba comprando um controle remoto universal de uma figura muito enigmática. Acontece que o controle era universal mesmo, sendo capaz de avançar no tempo, dar pause no presente e até mesmo passar o jogo de futebol na função tela-sobre-tela durante um momento tedioso. Newman usa tanto seu controle que chega num futuro bem distante, já velho e sozinho, praticamente abandonado em um hospital enquanto sua família segue em frente. Arrependido de ter perdido sua vida inteira atrás do sucesso, Michael levanta de sua cama e corre atrás dos filhos para dizer que os ama uma última vez, antes de cair morrer nos braços de sua amada. Filmes de comédia geralmente vêm acompanhados de uma lição de moral, mas Sandler levou isso a um outro nível, numa sequência emocionante que é garantia de choro pra quem assiste pela primeira – ou milésima – vez.
Mas tudo bem, pois Newman acorda na loja em que comprou o controle, e resolve não comprá-lo. Ao invés disso vai aproveitar a vida antes que ela passe acelerada.

  • O pai de Marshall – How I Met Your Mother – 6ª Temporada (2011)

How I Met Your Mother é um sucesso de público e crítica, e uma das razões é a facilidade que temos em nos relacionar com os personagens da série. Por mais absurdas que sejam as situações que se colocam, seu lado humano nos faz rir e também chorar. No 13º episódio da sexta temporada, intitulado “Bad News”, acompanhamos as visitas de Marshall (Jason Segel) e Lily (Alyson Hannigan) à uma clínica de fertilidade, pois estão com problemas para conceber um filho. Durante as idas e vindas do episódio, Marshall encontra seus pais em seu apartamento, com quem discute suas preocupações e divide um momento de ternura. Já no fim do episódio, Lily chega da clínica de fertilidade e dá a má notícia ao seu marido: enquanto o público esperava que ele fosse infértil, a notícia é de que seu pai teve um ataque cardíaco e não resistiu.
A cena é intensa, potencializada pela atuação de Segel, que pediu aos roteiristas e colegas de elenco que não lhe dissessem qual seria a fala de Hannigan, para reagir com maior veracidade. O resultado é incrível, e levou os fãs às lágrimas, mesmo com o título do episódio avisando que algo ruim iria acontecer, e com a contagem regressiva escondida nas cenas

  • Baymax – Operação Big Hero (2014)

Em Operação Big Hero, após a morte de Tadashi (Daniel Henney), Hiro  (Ryan Potter) conhece Baymax (Scott Adsit), um robô médico criado por seu irmão, que tenta ajudar o jovem a lidar com o processo do luto e saudade enquanto reúnem um time de heróis para tentar salvar a futurista São Fransokyo. A morte de Tadashi acaba sendo fundamental para a trama, partindo como motivação para nosso pequeno heroi e seu importante amigo. O que não esperávamos era que Baymax também partiria: após ajudar Hiro a salvar a cidade, o robô enfermeiro se sacrifica para que o garoto consiga retornar em segurança para seus amigos. Numa cena emocionante, Hiro percebe que perder seu irmão faz parte da vida, e precisa dar adeus também a seu amigo, que cumpriu a função de fazê-lo se sentir melhor. Um verdadeiro baque para quem assiste pela primeira vez.

  • Han Lue – Velozes e Furiosos: Desafio em Tóquio (2006)

O carismático e comilão corredor Han Lue (Sung Kang) fez sua estreia na franquia Velozes e Furiosos no mesmo filme em que deveria se despedir dela. No spin-off Desafio em Tóquio o amigo de Dom Toretto (Vin Diesel) vira um mentor para o jovem Sean Boswell (Lucas Black) – ainda que ele tenha detonado a ‘Mona Lisa’ de Han. Perto do fim do filme, enquanto Han e Sean fogem pelas ruas de Tóquio, o carro de Han é atingido de maneira brutal, capotando algumas vezes antes de pegar fogo. Sean corre para tentar ajudar seu amigo, mas o carro explode antes que possa fazer qualquer coisa.
Com muito mais a oferecer, o personagem apareceu em quase todas as sequências de Velozes: do 4 ao 7, lá estava Han ajudando Toretto e sua turma família. É ao final do sétimo filme que descobrimos que aquele acidente de carro não foi mera fatalidade, e sim um atentado orquestrado por Deckard Shaw (Jason Statham) para vingar seu irmão Owen (Luke Evans). É claro que a surpreendente – e triste – morte de Han perdeu força com o anúncio de seu retorno para Velozes e Furiosos 9.

  • Leslie Burke – Ponte Para Terabítia (2007)

“Feche os olhos mas deixe a mente bem aberta” era o que Leslie Burke (AnnaSophia Robb) dizia para Jesse Aarons (Josh Hutcherson), seu melhor amigo e companheiro de aventuras no fantástico reino de Terabítia, que lutaram para libertar do domínio do Senhor das Trevas. 
Nem mesmo um filme infantil e leve – que fala sobre imaginação, amizade e aventura – poupou seus espectadores e fãs de uma morte inesperada. Após alguns dias de chuva intensa, Jesse aproveita o domingo ensolarado para visitar o museu da cidade com sua professora, Sra. Edmunds (Zooey Deschanel). Ele até pensa em convidar Leslie, mas decide ir sozinho para aproveitar o dia com sua crush platônica. Ao voltar pra casa, é recebido por um ambiente de consternação, pois seus pais achavam que ele havia ido brincar com sua amiga no reino de mentirinha deles. 
Sem entender o que está acontecendo, Jesse tenta esclarecer onde estava, e seu pai explica que a amiga dele tentou pular sobre o rio pendurada em uma corda, que acabou se partindo. Jesse – assim como todos nós – não acredita naquilo e corre para ver com os próprios olhos. A sequência de Jesse em Terabítia é angustiante e dolorosa de assistir, e até hoje parte o coração de quem assiste. 

  • Menção Honrosa: Sirius Black – Harry Potter e a Ordem da Fênix (2007)

Sim, esse especial é de mortes inesperadas, e a morte de Sirius Black (Gary Oldman) não era novidade para quem leu os livros. Mas isso não tira o peso de assistir a cena em que o padrinho de Harry (Daniel Radcliffe) é morto por sua própria prima durante a batalha no Ministério da Magia. Há de se lembrar, também, daqueles que viram os filmes sem terem lido os livros.
Tudo começa com Harry tendo uma visão durante seu exame de N.O.M. (Níveis Ordinários de Magia), mostrando que Voldemort (Ralph Fiennes) sequestrara Sirius e estava o torturando na Sala das Profecias. Sem pensar muito a respeito, Harry reúne a Armada de Dumbledore e parte imediatamente para resgatar seu padrinho. Ao chegar, Harry se vê em uma armadilha e começa a lutar pela vida. Pouco tempo se passa até que os membros da Ordem da Fênix venham em socorro dos jovens bruxos, e o caos se instaure no Ministério. Durante um momento particularmente difícil da batalha, Harry e Sirius lutam lado a lado, e o animago chega a confundir seu afilhado com o pai, Tiago; Harry até se alegra com a comparação, mas seu sorriso desmorona quando Bellatriz Lestrange (Helena Bonham Carter) atinge Sirius com a maldição imperdoável da morte, fazendo com que ele atravesse o véu no meio da Sala de Execuções. 
A cena é tão forte que existem teorias na internet que dizem que o grito de Daniel foi mutado por ser extremamente agonizante. O próprio ator declarou em entrevista que a morte de Sirius foi a mais difícil de superar

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E aí, o que achou da nossa lista? Conta pra gente quais mortes te pegaram de surpresa!

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Ator, escritor, diretor e roteirista, Gabryel é ruim em todas essas coisas. Crítico por natureza, adora reclamar de tudo, e é fã de filmes que ninguém tem paciência pra assistir. Carrega a convicção de que Click é um clássico cult e quem discorda é clubista.

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